10 de julho de 2026
Nacional

Mortalidade cai, mas Alagoas ainda tem quadro pior que Haiti

Folhapress
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Rio - A mortalidade infantil também seguiu a tendência dos últimos anos e registrou nova queda de 2004 para 2005, passando de 26,6 mortes por 1.000 nascidos vivos para 25,8. Esse ritmo de redução, de 0,8 ano, é praticamente o mesmo verificado desde 2000, quando a taxa estava em 30,1 mortes por 1.000 nascidos vivos.

Apesar da queda, o Brasil continua apresentando patamares elevados de mortalidade infantil em comparação com nações desenvolvidas ou até mesmo ainda em desenvolvimento. Além disso, há grandes diferenças regionais. A menor taxa foi verificada no Estado do Rio Grande do Sul, com 16,7 mortes por mil nascidos vivos. É um patamar próximo do verificado em 2004 para a Rússia (16,9) e Argentina (15).

No outro extremo, Alagoas mais uma vez apresentou o pior indicador, com 63,8 por 1.000, uma taxa superior a do Haiti (61,6) ou de Bangladesh (58,8). “Apesar da redução, a mortalidade infantil nos Estados ainda varia no patamar de países como a Argentina num extremo e de nações como a Bolívia em outro”, diz Juarez Oliveira, do IBGE. Ele também destaca que a taxa do Brasil é apenas levemente superior a de El Salvador (26,4), um país que se recupera de uma guerra civil.

Entre os Estados brasileiros, aqueles que apresentaram melhoria mais acelerada de 2001 para 2005 foram Paraná e Piauí, com redução de 16,7%, e Rio Grande do Norte, com queda de 16,1%. As menores reduções foram verificadas em Roraima (12,2%), Goiás e Rondônia (13,4% em ambos). Analisando desde 1980, as maiores quedas aconteceram em Roraima (71,6%) e no Ceará (71,3%). Além de possíveis efeitos de políticas públicas, no caso de Roraima a variação pode ser maior porque as taxas oscilam mais por causa da pequena população do Estado.

Já no Ceará, como o Estado partiu de uma taxa mais alta, é mais fácil cair em ritmo mais intenso. O caso do Ceará, no entanto, não se repetiu no Maranhão (redução de 51,1%) e em Alagoas (queda de 51,9%). Esses foram os Estados que menos reduziram proporcionalmente a taxa de 1980 para 2005. Por essa razão, continuaram nas últimas posições no ranking.

Para Ana Azevedo, que coordena projetos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Alagoas, o Estado ainda está “no vermelho” na qualidade de vida de suas crianças, mas ocorreram avanços. Segundo ela, isso é resultado da articulação de políticas entre os governos municipal, estadual e federal.