09 de julho de 2026
Internacional

Pleito é marcado pelas tensões entre candidatos

Folhapress
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Caracas - A poucas horas das eleições venezuelanas hoje, em que o presidente Hugo Chávez disputa seu cargo com o oposicionista Manuel Rosales, aumenta a tensão no país. Em decisão inédita, o Ministério do Interior e Justiça divulgou resolução em que proíbe reuniões populares em locais públicos e de votação no fim de semana.

Anteontem, fora confirmada a detenção na quarta-feira de um capitão da Marinha, Carlos David León Azzato, que teria procurado líderes da oposição com uma lista de militares descontentes com o governo. Na entrevista que deu à imprensa estrangeira na véspera, o presidente dissera que havia “um oficial que estava reunido com uns conspiradores e foi detido’’.

Nas horas seguintes, o próprio Chávez e seu opositor, Rosales, radicalizariam seu discurso. O líder venezuelano deixou de lado seu alvo preferido, o presidente norte-americano, George W. Bush, e passou a atacar o adversário, a quem chamou de “candidatinho’’. Depois, disse que poderia fechar as emissoras de TV e rádio que infringirem a lei e levarem ao ar pesquisas de boca-de-urna.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) proíbe a divulgação de projeções do tipo antes do primeiro boletim oficial, que deve sair só às 21h locais de hoje (23h de Brasília), cinco horas depois do fim da votação. Outra medida aprovada recentemente pelo CNE prevê que 54% das urnas eletrônicas tenham seu equivalente em voto em papel contados manualmente, para verificar se houve fraude.

Já o governador licenciado do Estado petroleiro de Zulia, que concorre por uma coligação de oito partidos da oposição, respondeu que não aceitaria mudanças de última hora nas regras eleitorais e que sua arma caso isso acontecesse seria o “povo nas ruas”.

Os oposicionistas conseguiram passar a medida dos 54% e podem se fiar nela caso o resultado de hoje lhes seja desfavorável - as pesquisas de intenção de voto mais confiáveis dão uma vantagem de até 20 pontos percentuais para Chávez.

Em meio a tudo isso, 15,9 milhões dos 26,6 milhões de venezuelanos podem ir às urnas (o voto não é obrigatório no país), numa eleição-plebiscito em que escolherão entre a continuidade do chavismo, que promete aprofundar as tendências socialistas na “próxima etapa”, como chama Chávez, que irá de 2007 a 2013, ou o candidato de uma oposição pela primeira vez unida e com uma plataforma de centro-esquerda.

Para reforçar a segurança, cerca de 120 mil soldados da Guarda Nacional foram convocados. E 1.200 observadores internacionais - da União Européia, da ONU, da Fundação Jimmy Carter - estão no país.