10 de julho de 2026
Internacional

16 milhões votam hoje na Venezuela

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Caracas - Na véspera das eleições, 95% das mesas eleitorais já haviam sido instaladas na Venezuela para atender aos 16 milhões que devem ir às urnas hoje para eleger um novo presidente. Segundo o Conselho Nacional Eleitoral, haverá 11 mil postos eleitorais em todo o país e, devido a novas tecnologias implantadas, o tempo de votação de cada eleitor deverá ser de um minuto e vinte segundos - cinco segundos abaixo do tempo registrado em eleições anteriores no país.

O vice-presidente do conselho, José Vicente Rangel, descartou ontem o risco de fraudes no processo eleitoral e diz que há todas as condições para que “o povo exerça seu direito de voto” com soberania. Mais de 300 observadores internacionais devem acompanhar o processo.

A presidente do conselho, Tibisay Lucena, fez um apelo pela participação nas urnas hoje. Quase 50% dos eleitores se concentram em cinco Estados do país. Zulia é a região com maior população eleitoral - com 1. 962. 959 votantes. Em seguida, aparece Miranda, com 1.670.847 eleitores. O distrito Capital aparece em terceiro, concentrando outros 1.452.735.

Pesquisa de intenções de votos divulgada em novembro aponta que Chávez seria reeleito com 52% dos votos nas eleições para a Presidência. Seu principal opositor, o governador do Estado de Zulia, Manuel Rosales, obteria 25,5% dos votos no estudo, que ainda registrou um alto índice -22,5% - de indecisos. O levantamento foi conduzido pela empresa Datanálisis e ouviu 1.600 pessoas entre os dias 23 de outubro e 6 de novembro. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.

Segundo Luiz Vicente León, diretor da Datanálisis, a margem de abstenção poderia chegar a 30% ou 40% nas eleições marcadas para hoje. A lei eleitoral venezuelana proíbe que sejam publicadas pesquisas de intenção de voto durante a semana prévia à realização do pleito, em uma tentativa de impedir que, na reta final, os números se convertam em um elemento de campanha eleitoral.

Sistema eleitoral

O sistema eleitoral da Venezuela prevê um único turno para as eleições presidenciais, por isso, o candidato que obtiver mais votos hoje - sem importar o índice de participação dos eleitores -, governará o país entre 2007 e 2013.

Chávez prometeu que, caso vença, promoverá uma reforma para que o chefe de Estado possa exercer mais que dois mandatos consecutivos, como dita a atual lei venezuelana. A oposição rejeita a intenção de Chávez, vista como barreira para a democracia no Executivo. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) prometeu divulgar os resultados e proclamar o vencedor na noite de hoje ou na manhã de segunda-feira, e proibiu a veiculação de resultados extra-oficiais de qualquer tipo.

A nova Constituição da Venezuela, aprovada em 1999, dispõe que o voto seja eletrônico e sob um sistema automático, imposição que também foi questionada pelos partidos de oposição. Uma das normas mais criticadas foi a obrigação de o eleitor passar por uma máquina de identificação da impressão digital antes de votar - medida que, segundo o Congresso, visa a evitar que seja burlado o princípio de que cada eleitora vote uma só vez.

Inicialmente, a oposição argumento que tal sistema “violaria o voto secreto”. No entanto, em seguida, os opositores retiraram o argumento e criticaram o sistema por considerarem que “causa medo” nos eleitores e aumenta a taxa de abstenção.