Todo ano acontece a mesma história: depois de passarem meses vivendo em meio à abundância de água, os brasileiros são “surpreendidos” pela chegada das estações mais quentes do ano (primavera e verão). O calor sufocante, com temperaturas de 30 °C em média (podendo chegar a 40 °C em alguns dias), faz com que consumo do líquido se eleve de maneira desordenada e, de repente, aquilo que estava sobrando passa a faltar.
Em Bauru, por incrível que possa parecer, são os bairros abastados da zona sul (Jardim Estoril, Altos da Cidade e Jardim Colonial) os que mais sentem o problema. Regiões menos favorecidas, como a oeste, também sofrem com a falta de água nas épocas quentes do ano.
João Guarnetti, 75 anos, é aposentado e mora há dez anos na Vila Souto, zona oeste de Bauru. A vizinhança onde ele vive ficou sem água durante parte da semana passada. “Isso acontece todo ano”, garante.
Guarnetti mora desde 1964 no bairro e sabe que o calor é apenas uma das inúmeras causas para a falta de água nas torneiras de sua casa. “O grande problema é que o pessoal não tem consciência”, reclama.
Ele e os vizinhos vivem sob constante temor de que a carência se estenda até o final do verão, mas o Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) garante que não há motivos para desespero. A autarquia, responsável pelo abastecimento do município, afirma ter cerca de 47 milhões de litros de água armazenados.
Mesmo assim, o órgão reconhece que o alto consumo pode fazer com que o nível dos reservatórios caia de maneira drástica. “A população tem de aprender a economizar”, recomenda José Brazoloto, diretor da divisão de produção e abastecimento do DAE. Ele reconhece ser impossível calcular a quantidade de água desperdiçada pelos bauruenses. “Não dá para controlar a consciência de cada um”, diz.
Independente do volume esbanjado, o consumo de água no município costuma ser grande. De acordo com estimativas do DAE, a população de Bauru gasta, em média, 3,1 bilhões de litros da substância ao mês (quantidade equivalente a mais de 3 milhões de caixas d’água comuns).
Atualmente, cerca de 60% desse total é coletado em 29 poços profundos espalhados pelo município. O restante é proveniente do rio Batalha, que por diversos fatores, principalmente o assoreamento, se tornou pouco vantajoso para o DAE. Técnicos da autarquia acreditam que, no futuro, essa participação venha a diminuir cada vez mais.
Os gastos mensais do DAE giram em torno de R$ 1,5 milhão. Esse valor inclui energia elétrica, mão-de-obra, encargos e produtos químicos (inclusive cal hidratada, produto que também costuma ser bastante usado pela construção civil).Parte expressiva desse montante - R$ 400 mil, aproximadamente - é destinada à manutenção da rede de abastecimento.
Apesar de parecer grande, a quantia nem sempre dá conta de resolver os problema existentes nas tubulações de Bauru. Isto porque, em média, o DAE costuma receber 300 reclamações ao mês, a maioria relacionada a vazamentos, canos danificados e residências sem água.
____________________ Cidade preparada
Apesar de a proximidade do verão provocar crescimento acentuado no consumo de água pelas pessoas, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru acredita que não há risco de que os 51 reservatórios do município venham a sofrer grandes quedas no nível de armazenamento.
“Temos 47 milhões de litros estocados. Por enquanto, essa quantidade é suficiente para evitar racionamentos”, diz José Brazoloto, diretor da divisão de produção e reservação da autarquia. Além do volume armazenado, ele lembra que o DAE tem conseguido manter média de produção de água potável, que é de, aproximadamente, 3,1 bilhões de litros ao mês.
A quantidade faz com que o município se mantenha dentro dos parâmetros da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que recomenda cada de 180 a 200 litros de água ao dia por pessoa.
Em Bauru, a relação gira em torno de 300 litros de água por habitante. Mesmo trabalhando com condições tão favoráveis, Brazoloto - que é químico especializado em gestão ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) - costuma ser cauteloso quando se refere ao clima.
“Todos os fatores podem ser controlados, menos o tempo”, diz ele. Um problema notado por ele nos últimos dias tem sido a pouca quantidade de chuvas no município. “É interessante que nas outras cidades têm ocorrido muitos temporais, menos aqui em Bauru.”
As chuvas são responsáveis pela recarga do lençol freático, de onde é extraída a água consumida pelas pessoas.