08 de julho de 2026
Nacional

Brasil é o último entre os emergentes

Por Da Redação | Com Folhapress e AE
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O Brasil ocupa a última posição no ranking de competitividade elaborado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), denominado BRIC-M, que reúne também Rússia, Índia, China e México. A pesquisa leva em conta a legislação, a percepção da corrupção e o desempenho da economia, entre outros indicadores dos cinco países. A China aparece em primeiro lugar no ranking, seguida da Índia (2.º) e Rússia (3.º). Brasil e México empataram no quarto lugar.

Os cinco países são considerados os principais emergentes, com potencial para impulsionar a economia mundial nas próximas décadas e ultrapassar o G6 -formado por EUA, União Européia (UE), Japão, Austrália, Brasil e Índia- até 2050.

O desempenho insatisfatório do Brasil, compartilhado com o México, se deve aos elevados custos fiscais, institucionais e operacionais, aponta o levantamento da Amcham feito em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC) e divulgado ontem.

No Brasil, houve piora em 14 dos 24 indicadores utilizados para avaliar a sua competitividade em relação aos demais países emergentes. Entre eles estão o risco soberano, intenção de investimentos diretos estrangeiros, transparência da política governamental, custo de energia, infra-estrutura de escoamento de mercadorias e empreendedorismo.

Apenas dois indicadores brasileiros apresentaram melhora em relação aos concorrentes: as leis trabalhistas e o funcionamento da Justiça, nos quais o Brasil passou da quinta para a quarta posição.

O estudo destaca que no caso do funcionamento da justiça, o desempenho do Brasil não foi aprimorado por mérito próprio, mas porque a situação na Índia se agravou. Já no caso das leis trabalhistas, indicador que mede a dificuldade dos empresários para contratar e demitir funcionários, o País registrou melhora frente aos concorrentes diretos e também em relação ao restante do mundo. Apesar disso, ainda ocupa a 103.ª posição no ranking global, que avalia 175 economias.

Em outros oito índices, as posições do Brasil foram mantidas de 2000 a 2006.

Indicadores

O Brasil tem realizado melhorias em seus indicadores econômicos, mas não na velocidade necessária para que se mantenha competitivo perante os países emergentes. Essa é a conclusão do estudo divulgado pela Amcham e MBC.

Segundo o presidente da Comissão de Estratégia e Competitividade da Amcham, e presidente do MBC, José Fernando Mattos, o Brasil melhorou apenas na comparação consigo mesmo. Esse resultado, embora positivo, não atrai investimentos da mesma forma que os demais países. “A velocidade da melhoria dos indicadores no Brasil não é suficiente para manter o País no BRIC-M”, afirmou. “O índice de competitividade tem relação íntima com o crescimento do PIB”.

Os principais problemas do Brasil estão relacionados com as altas taxas de juros, o tempo para a abertura de empresas, alfândega, infra-estrutura e transparência de políticas. Indicadores como risco e juros, apesar de terem caído substancialmente nos últimos anos, ainda permanecem em níveis superiores se comparados aos demais países. Como pontos positivos, o estudo destacou o funcionamento da Justiça e o cumprimento das leis trabalhistas.