09 de julho de 2026
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O crescimento como princípio


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O Brasil tem efetivo potencial para crescer muito acima dos inexpressivos índices que vem registrando. Com o intuito de contribuir para viabilizar o chamado círculo virtuoso da economia, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) conceberam um conjunto de propostas, encaminhado ao presidente da República, que estabelece meta de 4% para a expansão do PIB em 2007. Nos exercícios subseqüentes, até 2010, a evolução seria de 0,5 ponto percentual/ano, repetindo-se entre 2011 e 2013.

Para isto, é premente a mudança da política econômica, tendo o crescimento como foco básico e fator condicionante de outros objetivos, inclusive a inflação. O estudo prevê a coordenação das estratégias fiscais, tributárias, monetárias e cambiais. Estas não podem mais ser desarticuladas e pouco sinérgicas.

No campo fiscal, a meta é o superávit nominal da União, a partir da redução das despesas financeiras, revisão geral dos gastos, novo modelo de gestão de ativos públicos, reforma previdenciária e combate à ineficiência. Tais medidas podem ser traduzidas pela redução da despesa primária federal de 1,8% do PIB, já em 2007, e queda da despesa financeira de 2% do PIB. O investimento da União passará de 0,6% do PIB, em 2006, a 3,2%, em 2010, contribuindo para reduzir os gargalos da infra-estrutura.

É importante salientar que o superávit nominal acentuará a trajetória de queda da relação “Dívida/PIB”, abrindo espaço à imprescindível redução dos juros. Também haverá aumento do crédito ao setor privado, parte do qual deverá ser direcionada a investimentos. Somam-se a isso a elevação dos investimentos públicos federais e a paulatina queda da carga tributária. A política cambial é estratégica nesse novo enfoque, pois o maior crescimento estimulará as importações, e a redução do diferencial de juros externos e internos implicará menor pressão de valorização da moeda doméstica. Ambos os fatores contribuirão para depreciar a taxa de câmbio.

A política fortemente monetarista implantada com o advento do Plano Real, em 1994, já cumpriu seu papel de combate à inflação. Exauriu-se! O positivo avanço social dos últimos quatro anos, de cunho assistencialista, também não é sustentável. Agora, o Brasil precisa focar a expansão substantiva do PIB como pressuposto do desenvolvimento socioeconômico.

O autor, Paulo Skaf, é presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp