09 de julho de 2026
Nacional

PT impõe candidatura de Chinaglia

Por Fábio Zanini e Letícia Sander | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A exemplo do que ocorreu há dois anos, o PT decidiu correr o risco de desagregar a base parlamentar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lançou ontem candidato próprio a presidente da Câmara, o líder do governo na Casa, Arlindo Chinaglia (SP).

A decisão bate de frente com desejo expresso por Lula à direção do PT, em reunião no Palácio do Planalto em 16 de novembro, de que queria a recondução de Aldo Rebelo (PC do B-SP) ao cargo.

O partido preferiu um lançamento sem contornos de confronto, apresentando o nome de Chinaglia para a construção de uma candidatura única da base. Em tese, o partido pode recuar mais à frente. A eleição será em 1 de fevereiro. O gesto do PT deve estimular outras legendas a lançar seus próprios candidatos.

O PMDB se reúne hoje para reafirmar que terá candidatura própria, mas não deve lançar nomes. O PR (ex-PL) e o PP, dois partidos com grande influência na Casa, sonham repetir a façanha de Severino Cavalcanti (PP-PE), em 2005, e podem também lançar candidatos. “Neste momento, não posso ser pessimista. Vamos trabalhar para termos uma única candidatura”, disse Chinaglia. Pela manhã, o agora candidato se reuniu com a direção do PT. O líder do governo argumentou que tinha apoio maciço entre os deputados atuais e os eleitos, e o compromisso verbal dos líderes de três partidos: PTB, PR e PP.

À direção partidária, Chinaglia disse que não queria o confronto com Aldo e que aceitava a tese de que seu nome ainda precisa ser “construído”. É a terceira vez que Chinaglia lança sua candidatura. Em 2005, ele era visto como franco favorito, mas acabou perdendo a indicação do PT para Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), que viria a perder para Severino.

Sete meses depois, após a renúncia de Severino, ele novamente apresentou sua candidatura, mas acabou tendo de abrir mão para Aldo, por pressão do Planalto. Ontem à tarde, em reunião da bancada do PT, ele foi aclamado. Deputados presentes o aplaudiram de pé e puxaram um coro: “A base unida jamais será vencida”. Chinaglia disse que é favorável ao aumento do salário dos deputados, mas “dentro de um limite e levando em conta a realidade nacional”. Ele deu a entender que aprova a reposição da inflação dos últimos quatro anos, de cerca de 30%.

O petista negou ainda que esteja sendo patrocinado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu em sua candidatura, mas admitiu que colocaria em votação um eventual projeto de iniciativa popular pedindo sua anistia - Dirceu foi cassado no ano passado, após a crise do mensalão. “Qual é o presidente da Câmara que não colocaria em votação?”, perguntou.

Intransigência

Segundo o presidente interino do partido, Marco Aurélio Garcia, o PT “não é intransigente”. “É óbvio que estaremos abertos a outras alternativas. Mas o nome (de Chinaglia) não é para cumprimentar a platéia. É um nome para valer”, declarou.