10 de julho de 2026
Nacional

Aliados falam em ‘piedade’ para Janene

Folhapress
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Brasília - Último remanescente do escândalo do "mensalão", o ex-líder do PP na Câmara José Janene (PR) deve ser julgado hoje pelo plenário da Casa. Ele não estará presente na sessão que definirá o futuro de seu mandato - diz não ter condições físicas, segundo sua assessoria, por causa de problemas cardíacos. Sua defesa em plenário será feita por advogados.

O líder do PP, Mário Negromonte (BA), também deve se pronunciar. O deputado licenciado teve a cassação recomendada pelo Conselho de Ética em junho deste ano. Mas só perderá o mandato se pelo menos 257 dos 513 deputados referendarem o parecer do conselho, em votação secreta prevista para ter início por volta das 20h de ontem.

Na tentativa de livrá-lo da cassação, aliados têm insistido no discurso da “piedade”. Afirmam que ele já está fora do cenário político - não foi candidato nas últimas eleições - e que está muito mal de saúde. Janene sofre efetivamente de uma cardiopatia grave. Por conta da doença, no auge do escândalo do mensalão ele tirou uma série de licenças médicas, que o afastaram da Casa. O argumento tira força da imagem de “homem-bomba” que ele tinha enquanto ainda circulava na Câmara. Muitos temiam que, caso cassado, Janene resolvesse “entregar” outros parlamentares, em revide.

A avaliação na Câmara é de que o fato de o processo ir à votação depois da eleição favorece Janene, pois já não há mais o desgaste imediato nas urnas de mais uma absolvição no caso do mensalão. Por outro lado, Janene ainda figura para muitos parlamentares como um “emblema” do escândalo, o que pode levar a uma decisão final desfavorável a ele.

O processo contra Janene teve início no Conselho de Ética há um ano e 49 dias. Ele é o último dos 19 parlamentares envolvidos no escândalo a passar pelo julgamento final da Casa. Destes, quatro renunciaram e apenas três foram cassados. “Nós cumprimos o nosso papel. Coube à Mesa colocar o caso em votação em uma hora difícil, de fim de legislatura. É difícil prever um desfecho, principalmente com votação secreta”, avaliou ontem o presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP).

Apontado como beneficiário de R$ 4,1 milhões do “valerioduto”, ele admitiu apenas ter intermediado o repasse de R$ 700 mil para pagar honorários do advogado que defendia Ronivon Santiago (AC), que foi do PP.