08 de julho de 2026
Nacional

Presidente volta a criticar a imprensa

Folhapress
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Brasília - Em discurso de improviso ontem diante de autoridades do Judiciário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve em alta a linha petista e do governo de ataques à imprensa. Disse que “lamentavelmente” é obrigado a respeitar a “cultura” de que as notícias boas são mantidas em segundo plano pela mídia: “Do ponto de vista econômico, a notícia ruim deve dar muito mais dinheiro”. As críticas de Lula ocorreram no início da tarde, no Palácio do Planalto, em evento de premiação de iniciativas para a modernização da Justiça.

Lula citou a imprensa no momento em que enaltecia iniciativas de melhoria nos serviços judiciais: “Lamentavelmente nós temos uma cultura e temos que respeitar aquilo que a gente tem, uma cultura predominante. É que muitas vezes as notícias boas (as iniciativas na Justiça) não merecem os destaques que merecem uma notícia ruim”. “Possivelmente, eu acho que, do ponto de vista econômico, a notícia ruim deve dar muito mais dinheiro do que a notícia boa”, acrescentando: “Como é que a gente vai educar a sociedade brasileira de que as coisas boas acontecem em maior número que as coisas ruins no país e que muitas vezes elas não são mostradas?”, questionou.

Após as eleições, o desgaste da relação do Planalto com a imprensa recrudesceu por conta de seguidas insinuações de dirigentes petistas e de integrantes do governo sobre um suposto favorecimento dos veículos de comunicação ao PSDB. Lula, além do presidente do PT, Marco Aurélio Garcia, e do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), tem repetido esse tipo de ataque.

Ontem, antes de criticar a mídia, disse que os vencedores das cinco categorias do Prêmio Innovare não precisaram fazer lobby para pôr em prática suas idéias: “As pessoas que ganharam os prêmios não tiveram nenhuma necessidade de fazer uma passeata em Brasília, não tiveram necessidade de marcar nenhuma audiência com o presidente da República e não tiveram sequer a força de vir a Brasília pedir que mudasse alguma lei. O que eles mudaram, na verdade, foi o seu jeito de ser”. No final da tarde, em seu gabinete, Lula disse ao senador Pedro Simon (PMDB-RS) que foi “judiado” pela imprensa.