O homem de barba branca, bochecha rosada e roupas vermelhas, que distribui presentes no Natal, trocou as renas por uma Maria Fumaça, mas cativou as mais de 3 mil crianças e adultos que o esperavam na antiga estação ferroviária, no Centro, ontem à noite.
O apito forte do trem que trazia o Papai Noel fez a expectativa crescer entre as crianças que o esperavam dentro da estação. Em cada rosto, era possível perceber que a imaginação voava longe. No caso dos mais novos, a espera servia para pensar na maneira de pedir o presente desejado. Já para os adultos, um momento para trazer à mente um passado não muito distante.
Na chegada, rostos alegres, com sorrisos de orelha a orelha, e olhares fixos na direção do “popstar”. Um aceno na janela e a multidão começa a gritar. Uma “chuva” de flashes chega até a dificultar a visão. O calor é grande, mas nada que atrapalhe o momento, com certeza mágico para a garotada. As balas lançadas pela janela não importam tanto, a magia parece ser outra, diferente em cada cabeça, heranças de cada família.
Com 72 anos, o aposentado Arsênio Lopes não parava de sorrir, uma demonstração sincera do que estava sentindo. “Isso é espetacular, porque mostra o quanto o Papai Noel é importante para as crianças e também para os adultos. A gente volta no tempo e se lembra da época de criança. Emociona”, revela.
Depois da chegada, o bom velhinho deu um passeio com um carro Ford conversível, da década de 1930, e distribuiu balas e sorrisos, ao som de fogos e músicas de Natal tocadas pela banda marcial do Colégio São Francisco de Assis. Em seguida caminhou pelo Calçadão, distribuindo doces e acenando para o público.
O comerciário Carlos Andrade Ribeiro Miranda, que acompanhava os dois filhos, manteve a magia do Natal no ar. “É emocionante. A realização de um sonho para as crianças. Não tem explicação do quanto é gostoso acompanhar a alegria deles”, afirma. “Já para mim, é uma novidade. Nunca estive tão perto assim do Papai Noel”, brinca.
Nem mesmo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Sérgio Motta, segurou a emoção. “É gratificante acompanhar, há mais de 4 anos, o entusiasmo das crianças com o Papai Noel”, confessa.
O presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Luiz Otaviano Machado, se sente gratificado em ajudar a manter acesa a chama natalina. “É emocionante, porque acredito que estamos conseguindo resgatar a magia do Papai Noel e do Natal. A idéia principal é trazer a população ao Centro e proporcionar-lhes alegria”, destaca.
No entanto, Machado tem receio de que a festa não ocorra nos mesmos moldes no próximo ano. “Ao que tudo indica, a estação será vendida e, provavelmente, o Papai Noel não poderá mais chegar de trem”, revela.
Inauguração
A chegada do homem do Pólo Norte representou também a inauguração da Campanha de Natal do Calçadão e decoração natalina. Desde ontem, todas as lojas da região central passaram a funcionar até as 22h, iluminadas por mais de 130 mil lâmpadas distribuídas pelas sete quadras da rua Batista de Carvalho, um investimento de R$ 100 mil.
Para reforçar as festividades de Natal do comércio central, neste domingo, a partir das 17h, será realizada no Calçadão a Paradinha de Natal do Jornal da Cidade. Dois duendes e uma fada acompanharão uma banda que irá tocar temas natalinos. A atividade faz parte da quarta edição da campanha Natal Tamanho Família do JC.