Brasília - Mais de 4 mil pessoas participaram da Marcha do Salário Mínimo, que tem como objetivo pressionar o governo a um reajuste para R$ 420,00 A estimativa é da Polícia Militar (PM) do Distrito Federal. Já os organizadores acreditam que o movimento contou com a participação de 15 a 20 mil manifestantes.
As centrais sindicais querem um aumento de 20%, dos atuais R$ 350,00 para R$ 420,00 e um reajuste da tabela do Imposto de Renda (IR) de 7,7%.
Já o ministro Guido Mantega (Fazenda) defende um mínimo de R$ 367,00 (4,86%), valor que contempla a variação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita. “É uma posição do Guido Mantega, não é do governo. Ele vai ser derrotado nessa posição”, disse Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical. No entanto, ele admite que será difícil também o governo concordar em dar os R$ 420,00. “Não vai ser nem R$ 367,00 ou R$ 375,00. Também não vai ser R$ 420,00. Vamos chegar a um meio termo.”
Na proposta orçamentária enviada ao Congresso Nacional em agosto, o governo trabalhava com um salário mínimo de R$ 375,00 (7,14%). No entanto o valor foi reduzido devido ao crescimento da economia menor que o esperado e a inflação abaixo da meta. Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, chegar ao valor pedido pelas centrais depende de negociação. “É um processo de negociação que depende da pressão da sociedade.”
Hoje, os dirigentes das sete centrais sindicais que organizaram a marcha se reúnem com os ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Nelson Machado (Previdência). As centrais sindicais querem discutir com o governo federal uma política permanente para a recuperação do salário mínimo no longo prazo. O presidente da Força defende que esse reajuste seja a soma da inflação mais duas vezes o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Ele sugere também que o governo adote essa fórmula por cinco anos.
“O presidente Lula ganhou muitos votos com o aumento do salário mínimo. Ele sabe que essa política é correta”, disse. Hoje, o reajuste é feito com base na variação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acrescido do aumento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita. No entanto, nos últimos anos o governo tem dado um valor superior a essa fórmula.
Para Paulinho, o déficit da Previdência Social não pode ser usado como desculpa na negociação do salário mínimo. “A Previdência será um problema sempre. Quando o salário mínimo era de US$ 50,00 também falavam isso. Sempre vão usar o problema da Previdência para não reajustar o salário mínimo”, criticou.
Cerca de 25 milhões de brasileiros recebem um salário mínimo por mês, entre eles 16 milhões de aposentados. É por essa razão que esse reajuste tem um forte impacto nas contas da Previdência Social. Já o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, defende que uma política para o reajuste do salário mínimo deve ser adotada por um período mais longo, de dez a 15 anos, para garantir que ele atenda ao que está determinado na Constituição - manutenção de uma família de quatro pessoas.
O salário mínimo do trabalhador, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), deveria equivaler em agosto a R$ 1.613,08, ou seja, 4,61 vezes o mínimo vigente. A sugestão dele é a correção da inflação e do PIB per capita, além de um fator de variação a ser determinado.