São Paulo - A indústria automobilística brasileira baterá recorde de produção e de receita de exportações em 2006, mas deverá diminuir seu ritmo de expansão no próximo ano, em razão da provável estagnação das vendas externas. Esse foi o cenário apresentado ontem por Rogelio Golfarb, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em entrevista coletiva na qual fez um balanço do setor. “A contribuição da indústria automobilística para o crescimento do PIB será menor”, afirmou.
Segundo Golfarb, a produção de veículos subiu em média 10,2% ao ano desde 2002, puxada principalmente pelas exportações. Em 2006, o setor externo teve queda de 5,6% nas unidades exportadas entre janeiro e novembro diante de igual período do ano passado. A retração foi compensada em parte pelo maior consumo interno, estimulado pela queda contínua na taxa de juros. Até novembro, o licenciamento de veículos nacionais e importados havia subido 12,5%. “O grande crescimento entre 2002 e 2005 veio da exportação. Em 2006, há uma inversão desse padrão e o mercado interno ficou mais forte”, disse o presidente da Anfavea.
O número de carros vendidos a outros países caiu, mas o valor das exportações subiu 7,5%, para US$ 11,1 bilhões, em conseqüência do aumento de preços. A previsão para 2007 é de nova queda nas unidades exportadas e estagnação no valor. Os resultados finais de 2006 vão superar a maioria das previsões feitas pela Anfavea no início do ano. No total, deve ser licenciado 1,9 milhão de veículos novos (nacionais e importados), alta de 11,6% em relação a 2005. A previsão era de expansão de 7,1%.
O valor das exportações deverá subir 8%, bem acima dos 2,7% esperados. O que ficará abaixo é a produção, com alta estimada de 4%, inferior à previsão de 4,5% do começo do ano. A principal razão é a queda de 5,2% no número de veículos exportados. Isso se reflete no menor nível de emprego, que registrou redução de 1,2% em novembro em relação a igual mês de 2005.
Apesar de a valorização do real ter tido peso relevante na redução das vendas externas, Golfarb preferiu dirigir suas críticas à carga tributária, apontada como o principal obstáculo ao aumento da competitividade do setor automotivo. “Sempre tivemos o problema da tributação, mas antes ele podia ser compensado pelo real desvalorizado. Agora, com o novo patamar do câmbio, isso não é mais possível”, ponderou.
Golfarb afirmou que o Brasil tem a maior carga de impostos do mundo sobre o setor e é o único que permite a tributação das exportações. Não há incidência direta de impostos nas vendas externas, mas elas sofrem o impacto de tributos cobrados na produção, como a CPMF, que incide sobre toda a cadeia produtiva, disse Golfarb. Outro fator que onera o caixa das empresas é o atraso na devolução dos créditos de ICMS a que elas têm direito. Só em São Paulo são R$ 3 bilhões, de acordo com a Anfavea.