Brasília - Depois de um encontro de mais de cinco horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente reeleito da Venezuela, Hugo Chávez, disse ontem acreditar que o Brasil vai alcançar a meta de crescimento de 5% prevista para o ano que vem. “Não estou na equipe de análise econômica do Brasil, mas oxalá cresça 20%. Os motores do Brasil podem crescer muito mais nos próximos anos”, disse o venezuelano. Chávez afirmou que a Venezuela vem crescendo mais de 10% há 12 trimestres.
Na opinião do presidente venezuelano, o Brasil tem condições de seguir o mesmo caminho. “O Brasil tem tudo para, após o primeiro mandato do presidente Lula, ajustar a macroeconomia e melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. Oxalá cresçamos todos nós cerca de 10% nos próximos anos e a América Latina continue se desenvolvendo”, afirmou. O encontro de Lula e Chávez foi o primeiro depois que o presidente da Venezuela foi reeleito para um novo mandato de seis anos no comando do país.
Acordos
No encontro, Lula e Chávez decidiram aprofundar as discussões sobre a construção do gasoduto do Sul - projeto de integração da América Latina que deve interligar cinco países do continente. Técnicos dos dois países vão se reunir em janeiro para dar continuidade às reuniões sobre o gasoduto. O presidente venezuelano, no entanto, disse não ter condições de responder quando o gasoduto vai sair do papel. “Não posso responder a essa pergunta enquanto os estudos técnicos, em janeiro, não tiverem posição mais detalhada”, afirmou.
Lula e Chávez também decidiram renovar por mais um ano o projeto de construção da refinaria de petróleo de Abreu e Lima, em Pernambuco, mas não anunciaram prazos para o início das obras. Eles também renovaram um memorando de entendimentos para projetos de exploração de óleo, na Venezuela e decidiram prorrogar pré-acordos para a construção de campos de gás no país vizinho. A principal decisão do encontro foi reforçar e acelerar parcerias que já haviam sido acertadas.
Os presidentes decidiram estabelecer prazos para que os ministros “produzam detalhes técnicos para avançarmos no tema energético”, disse o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores). O chanceler da Venezuela, Nicolas Maduro, disse que os acordos são um “passo para a nova era da relação entre o Brasil e a Venezuela”.