10 de julho de 2026
Nacional

FAB anuncia descentralização do controle aéreo de Brasília

Por Humberto Medina e Iuri Dantas | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Após o caos nos aeroportos causado por falhas no sistema de comunicação do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-1), em Brasília, o governo resolveu anunciar um pacote de medidas para evitar problemas. A principal é dividir a responsabilidade dos atuais quatro centros para outras capitais, como São Paulo, Rio e Belém.

Em São Paulo, a capacidade operacional deverá ser dobrada, para que possa assumir todo o controle aéreo feito ontem em Brasília, se for necessário. “Serão centros menores, com controles mais moderados, porém com capacidade de um cobrir o outro no caso de uma pane”, disse o comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno. A implantação da medida deve levar de seis a oito meses, entre compra de equipamentos e treinamento de pessoal.

Os centros menores são chamados de “centros de aproximação” e controlam vôos abaixo de 25 mil pés. Com novos equipamentos, passam a monitorar aviões acima desse nível. “Se nós centralizamos cerca de 80% do movimento em Brasília, e todos nós estamos vendo que essa centralização no caso de uma pane em um equipamento principal não nos dá resposta imediata para sanar essa pane, então temos que descentralizar”, resumiu Bueno.

As outras medidas são: aumentar os equipamentos de reserva; fechar contratos de manutenção preventiva e corretiva com o fabricante dos sistemas de comunicação; mais recursos financeiros para atualização de equipamentos de comunicação via satélite e por telefone - medida determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à equipe econômica - e uma avaliação de risco nos Cindactas (há outros em Manaus, Recife e Curitiba).

Bueno admitiu que o governo não tinha pessoal qualificado para tratar do problema que aconteceu na terça e que um representante do fornecedor do equipamento que estava em Manaus teve que ser acionado. “Realmente, nós não tínhamos um técnico ou engenheiro para uma intervenção.” A crise deve estar resolvida até o fim do ano, disse Bueno.

“Não é que não vai ter atraso, mas serão normais, de 30 ou 40 minutos.” O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, disse anteontem que a Aeronáutica já comprou o novo sistema de rádio independente para se prevenir de futuras panes, conforme ordem do presidente Lula. Ele deve ser instalado até a semana que vem.

Atrasos

Balanço divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil mostra que 191 dos 610 vôos programados para ocorrer da 0h às 10h30 de ontem sofreram atrasos de mais de uma hora. O número corresponde a 31,31% do total. De acordo com a agência, o maior número de atrasos foi registrado nos aeroportos de São Paulo - 22 em Congonhas e 22 em Guarulhos.

No total, 23 vôos foram cancelados no País, a maioria deles em Guarulhos. Não foi divulgado o índice de atrasos ou cancelamentos considerados aceitável. É o terceiro dia de atrasos nos aeroportos desde a pane que cortou a comunicação por rádio entre os controladores do Cindacta-1, em Brasília, e os pilotos dos aviões, na terça-feira.

O Procon tem alertado aos passageiros que preencham um documento de sugestões e reclamações que pode ser encontrado nas agências da Anac nos aeroportos ou pela Internet. Ao documento devem ser anexadas todas as notas com despesas - como lanches ou jornais - que foram feitas por causa da demora no embarque.