Além de atender passageiros, o Aeroporto Bauru-Arealva passará a ser utilizado para o transporte internacional de cargas, ao que tudo indica, a partir do ano que vem. O Departamento Aeroviário de São Paulo (Daesp) já prepara a habilitação do terminal para este fim.
“Já estamos com o processo bastante adiantado. Não vamos internacionalizar o aeroporto agora, mas habilitá-lo para vôos de carga internacional. Vamos permitir vôos não regulares para as empresas fazerem o transporte de suas cargas. Isso deve ocorrer ao longo de 2007”, explica o superintendente do Daesp, Ricardo Volpi.
O departamento prevê a necessidade de ampliação da pista do aeroporto. A estimativa é de investimento na ordem de R$ 8 milhões. O recurso seria empregado na expansão de 600 metros de asfalto - que passaria dos atuais 2.100 metros para 2.700 metros - e em serviços complementares.
Apesar do Daesp confirmar que o novo aeroporto de Bauru vai mesmo operar com aviões de cargas internacionais, ainda não está definido que tipo de mercadoria será transportada no complexo. Nem o Daesp nem a Prefeitura de Bauru sabem responder essa questão.
Mas não deve faltar tempo para esse estudo. O Daesp ainda depende de um parecer da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para solicitar à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a habilitação de aeroporto internacional de cargas. Até agora, a Receita Federal (RF), a Polícia Federal (PF) e o Ministério da Agricultura já fizeram vistoria no local e emitiram seus laudos.
O parecer dessas instituições visa apontar as adaptações que precisam ser feitas no aeroporto para a viabilização do transporte de cargas. Esses órgãos também são responsáveis pelo desembaraço das mercadorias.
Licitação
O próximo passo do Daesp será a abertura de licitação para que as empresas interessadas construam o terminal específico e explorem comercialmente o espaço. “Nós vamos apenas oferecer a área e licitá-la. A construção será feita pela iniciativa privada”, afirma o superintendente do Daesp.
Segundo Volpi, a habilitação do novo aeroporto de Bauru para o transporte de cargas faz parte de um projeto estratégico do governo do Estado que visa descentralizar esse tipo de serviço dos terminais de Viracopos, em Campinas, e de Cumbica, em Guarulhos.
Além do aeroporto Bauru-Arealva, fazem parte desse projeto os terminais de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, que formarão o denominado corredor de exportação. “Nós queremos facilitar a vida dos empresários, dos industriais, que hoje só podem recorrer a Campinas ou a Guarulhos”, diz Volpi.
Na avaliação do Daesp, o terminal bauruense deve conseguir a habilitação antes do Aeroporto Leite Lopes, de Ribeirão Preto. O departamento está encontrando dificuldades para proceder a internacionalização do complexo porque o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) alega que a ampliação da área acarretará impacto ambiental.
Em Bauru, o aeroporto dispõe de uma área de 80 mil metros quadrados (m2) para a construção de um pátio e de dez mil m2 para o terminal. De acordo com o Daesp, o espaço poderá receber aeronaves de grande porte, como os jatos MD11.
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Infraero
O novo aeroporto de Bauru não opera por instrumentos, apenas por visualização, segundo informa o Daesp. Os equipamentos serão instalados no terminal de cargas pela Infraero - empresa pública vinculada ao Ministério da Defesa que controla 67 aeroportos e 32 terminais de logística de carga no País - no decorrer do ano que vem.
Conforme Ricardo Volpi, o Daesp vai construir as instalações e a Infraero equipar e tripular o complexo. O local receberá uma estação permissionária de rádio para o controle de vôos e uma Gerência de Navegação Aérea (GNA).
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Reunião
Hoje, às 10h, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se reúne no novo aeroporto de Bauru com o Departamento Aeroviário de São Paulo (Daesp), as companhias aéreas Pantanal e Air Minas, a Prefeitura Municipal e a Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) para discutir a viabilização do terminal.
O objetivo será estabelecer um prazo para a Pantanal transferir seus serviços ao novo complexo, onde apenas a Air Minas opera atualmente com vôos comerciais para Cumbica, em Guarulhos.
O novo aeroporto foi inaugurado dia 23 de outubro e, desde então, a Pantanal vem resistindo a mudar-se para o local. A empresa alega que o complexo não oferece infra-estrutura para atender os passageiros.
Mês passado a Anac também se reuniu com o Daesp e as duas companhias para tentar resolver o impasse. A tentativa foi em vão. A Pantanal afirmou que só se mudaria para o novo aeroporto quando o restaurante e o ponto de táxi estivessem em pleno funcionamento. Já a Air Minas garantiu que deixará o local para se instalar no antigo terminal de Bauru, na zona sul do município, caso a concorrente continue no complexo.
“Nenhum estabelecimento (restaurante, lojas) vai se instalar no novo aeroporto enquanto não tiver demanda de passageiros. O antigo terminal não tem sala de embarque, de desembarque. Ele não tem nada, nenhuma estrutura para o passageiro. Esperamos que consigamos resolver isso”, diz o superintendente do Daesp, Ricardo Volpi.