11 de julho de 2026
Internacional

Hamas descarta reconhecer Israel e se apóia no Irã contra união palestina

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Gaza - O primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ismail Haniyeh, reiterou ontem em Teerã que o grupo islâmico Hamas, do qual é um dos dirigentes, “jamais” reconhecerá Israel e continuará a lutar “pela libertação de Jerusalém”.

Haniyeh nunca dera a entender que o reconhecimento de Israel estava em seus planos. Mas sua declaração tem agora uma dupla importância. Ela transforma o Irã em cabo eleitoral para sua permanência na chefia do gabinete palestino, no momento em que sua demissão era uma alternativa sugerida para a constituição de um governo de unidade - com a Fatah, partido laico do presidente da ANP, Mahmoud Abbas.

Os EUA e o chamado Quarteto (mais a Rússia, a ONU e a União Européia) queriam essa unidade para relançar as negociações de paz com os israelenses.

A declaração de Haniyeh também reforça a opção do Hamas pela via do terrorismo. A “libertação de Jerusalém” e o hipotético desalojamento dos israelenses de sua capital não são objetivos alcançáveis por meios diplomáticos.

Apoio em Gaza

Ontem, em Gaza, dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas para pedir que Haniyeh, visto há pouco menos de um ano como uma liderança moderada, permanecesse na chefia do governo. Os manifestantes rejeitaram o plano ocidental de restabelecer o fluxo de dinheiro para a ANP, em troca da formação de um governo de unidade do qual o Hamas faria parte, mas sem o atual primeiro-ministro.

Depois de quatro dias no Irã, Haniyeh, deverá visitar a Síria, onde os dirigentes, apesar de laicos e em teoria reticentes à politização do islamismo, têm todo o interesse em apoiar o Hamas por sua intransigência em relação a Israel. A Síria também apóia o Hizbollah, grupo xiita com imenso poder político e militar no Líbano.

O premiê palestino agradeceu os iranianos pelo apoio que têm dado, US$ 120 milhões neste ano, para compensar a suspensão da ajuda americana e européia aos palestinos e o bloqueio dos impostos que Israel recolhe em nome da ANP. Ele reafirmou que “o governo popular palestino não apenas se nega a reconhecer os ocupantes, mas também considera que a resistência é um direito natural da nação palestina”.

Em discurso na Universidade de Teerã, Haniyeh afirmou que “a arrogância mundial (EUA) e os sionistas (Israel) querem que reconheçamos a usurpação de terras palestinas, interrompamos a resistência e aceitemos os acordos selados no passado com os inimigos sionistas”.

A posição do Hamas e de seu premiê torna problemática a dissolução do Parlamento palestino e a convocação de eleições antecipadas, um dos roteiros do presidente Abbas. Essa alternativa, diz o jornal israelense “Haaretz”, foi recomendada por uma comissão da OLP presidida por Iasser Abed Rabo. O Hamas se fortalece por uma rede externa de apoios e pela adesão de familiares de vítimas civis das retaliações israelenses em Gaza.