Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru criaram um dispositivo inédito de informática que poderá ajudar no processo de inclusão digital. Trata-se do protótipo Cowboy, um computador portátil popular preparado para o futuro da informática, que poderá modificar as relações de estudo, leitura e acesso à informação.
Trata-se de um aparelho de 400 gramas, que possui tela de cristal líquido colorido de 7,7 polegadas, conexão sem fio à Internet, preparado para recepção de sinal digital de televisão, leitor e editor de documentos, programa de mensagens instantâneas, reprodutor de MP3 e de vídeos MPEG-2 e suporte a plataformas educacionais.
Processador, memória e capacidade de armazenamento do protótipo são compatíveis às de um computador pessoal, com o diferencial da praticidade no transporte e operacionalidade, além do preço, que seria quase três vezes menor em comparação a um notebook. De acordo com o professor Eduardo Morgado, coordenador do projeto, o custo para fabricação ficaria em torno de US$ 250, cerca de R$ 550,00. “Produzido em larga escala, ele poderia cair ainda mais”, acredita.
O computador de baixo custo utiliza tecnologia de ponta aplicada em celulares de última geração, com sistema de hardware e software diferente das máquinas pessoais. A navegação é baseada em menus, dispensando a utilização de mouse. Não existem entradas para CD, DVD ou disquetes, a aposta dos pesquisadores é a transmissão de dados via rede. “Seria o ponto de partida para a utilização de ferramentas mais complexas”, destaca Morgado.
Segundo o pesquisador Marcelo Fornazin, o projeto foi concebido com o intuito de fomentar a inclusão digital no País. “A idéia inicial era que ele fosse usado como uma ferramenta educacional poderosa, para crianças e adolescentes, com design atrativo, interface lúdica, com sistema operacional intuitivo e fácil de ser usado. Algo próprio para os primeiros passos e desenvolvimento das habilidades em informática”, destaca.
“No entanto, suas funções ultrapassam essa expectativa, já que ele (computador) está preparado para o futuro. Trata-se de um instrumento capaz de convergir mídias, pronto para a TV digital e munido de conexão wi fi (sem fio), amplamente utilizada nos Estados Unidos e Europa”, completa.
Uso diferenciado
Para Daniel Igarashi, pesquisador que também participou do projeto, o protótipo pode causar uma revolução nas relações escolares. “Fechado ele se assemelha a um livro, tanto no peso e como numa possível forma de utilização. É prático para a transmissão e leitura de apostilas e e-books (livros digitalizados) e ainda pode servir para armazenar apontamentos sobre o tema”, destaca.
O diretor da Faculdade de Ciências, Henrique Luiz Monteiro, concorda com o pesquisador. “Ele não aposentaria a escrita, mas poderia agilizar e baratear os processos de transmissão de informação e armazenamento de dados em sala de aula.”
Segundo Monteiro, já existem empresas interessadas em fabricar o protótipo em larga escala. “Isso é importante porque, além de ser uma ferramenta que traz melhorias à população, geraria empregos e contribuiria para a economia do País”, afirma o diretor da faculdade, que também acredita no potencial de exportação do equipamento.
Novo segmento
A máquina criaria um novo segmento no mercado, situando-se entre os celulares de última geração e os computadores pessoais (PCs). “Seria um meio termo entre os dois. Tem características de PC, com funcionalidade, praticidade e lógica operacional herdados de celulares ou palmtops de última geração”, explica Daniel Igarashi. Conheça mais sobre o computador no site: www.ltia.fc.unes p.br/cowboy.
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100% brasileiro
O computador portátil é fruto de um ano de pesquisas intensivas dos integrantes do Laboratório de Tecnologia de Informação Aplicada (Ltia), da Faculdade de Ciências da Unesp, que envolveu cerca de 24 pessoas de diversas áreas disciplinares, como ciências, comunicação e engenharia.
Segundo o professor Eduardo Morgado, o protótipo é inédito no Brasil, tendo hardware, software e design 100% nacionais. “A partir das peças encontradas no mercado brasileiro, foram construídas, projetadas e montadas as placas. Já o sistema operacional, também existente no País, foi remodelado pelos pesquisadores. Além do design, de autoria dos alunos de comunicação.”
De acordo com o coordenador da pesquisa, o projeto teve incentivo de empresas de tecnologia do Estado, que forneceram material e verba para o desenvolvimento da tecnologia.