10 de julho de 2026
Bairros

Prefeitura recebe 2.360 reclamações ao mês

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Todas as manhãs, logo que saem às ruas, os bauruenses são obrigados a encarar de perto as carências que afligem a cidade. Na verdade, os problemas são milhares: levantamento feito junto a quatro secretarias do município (Obras, Administrações Regionais, Meio Ambiente e Saúde) constatou que a prefeitura recebe, em média, mais de 2.360 reclamações todos os meses.

São buracos, árvores caídas, animais mortos, vazamentos de água, entre outros. Os dados incluem queixas recebidas pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE)- 300 reclamações por mês - e pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) - 200 mês.

Obras e Administrações Regionais (Sear) são as campeãs de queixas, respondendo juntas por 1.080 reclamações mensais, quase metade do total ( as demais queixas dividem-se entre 600 recebidas pela saúde e 180 pela Semma). Isso não ocorre por acaso, já que os dois órgãos cuidam (ou deveriam cuidar) da manutenção das vias públicas do município. Os dados ajudam a dar uma idéia de como é grave a situação das ruas de Bauru.

A Secretaria de Obras faz basicamente a colocação de asfalto e reparos nas áreas já pavimentadas. A função da Sear é praticamente a mesma, só que é realizada nas vias de terra. Apesar de parecer simples, o trabalho esbarra em inúmeras dificuldades.

A primeira, e principal delas, é a quantidade limitada de material para recape disponível no município. A usina de asfalto mantida pela Secretaria de Obras, por exemplo, consegue produzir apenas 23 metros cúbicos do material por hora.

Os problemas das vias públicas de Bauru não se resumem à falta de material para pavimentação. Em vários locais falta o mínimo de infra-estrutura necessária para que o asfalto possa ser colocado. A situação precária é mais evidente em bairros como o Jardim Andorfato, onde anos de erosão contínua, aliados ao completo descaso da parte do poder público, fizeram com que as ruas se convertessem em verdadeiras crateras em miniatura.

Ilhados, os moradores da periferia quebram a cabeça para poder continuar circulando livremente. Enquanto alguns se arriscam em meio às valas, outros tentam tapar buracos por conta própria, usando terra, pedras ou entulho.

Nem sempre a solução é satisfatória. Valdeloir Granato, morador do Parque Rossevelt, já estragou diversas peças de seu Opala nos buracos da rua Luiz de Souza. Já Diva Dias, do Jardim Solange, amassou a frente de seu automóvel, após cair numa cratera existente no bairro.

Problemas envolvendo buracos e falta de pavimentação são tantos na cidade que acabam gerando desânimo em muitos bauruenses (sobretudo os de origem mais carente). A presidente da associação dos moradores do Jardim Andorfato, Benedita Francisca Vasconcelos, duvida que o bairro receberá asfalto nos próximos anos.

A apatia, por sinal, vai contagiando diversos setores da sociedade. No Jardim Ivone, os buracos se uniram à falta de iluminação pública, para aumentar ainda mais o desânimo dos moradores. Enquanto isso, no Parque das Nações, quase ninguém acredita que o drama das enchentes possa um dia ser solucionado de maneira definitiva.

Num universo marcado por carências extremas, a única coisa que anda sobrando atualmente nos bairros de Bauru, além da desconfiança com relação à administração pública, são as pragas e os animais peçonhentos. Semana passada, Maria Pedrolina Alves Salles, moradora do Jardim Ivone, coletou seis escorpiões no interior de sua residência. Para ela, a tendência é que a situação piore ainda mais. “Enquanto esses bichos continuarem preferindo casa de gente pobre, nenhum governo vai se mexer para acabar com o problema”, diz.