10 de julho de 2026
Bairros

Ruas são engolidas por buracos e erosões

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Se pudesse ser feito um ranking dos problemas que afligem o município, certamente os buracos ocupariam o lugar mais alto do pódio. Para Décio Onofre de Deus, presidente da Associação dos Moradores do Jardim Vânia Maria, o problema nem é mais novidade. “É difícil imaginar um lugar da cidade que não sofra com o asfalto em más condiçõaes. Todos os carros de Bauru deveriam possuir um sensor para evitar acidentes”, diz.

A população do Jardim Progresso conhece bem o que ele está dizendo. Todas as vias do bairro têm buracos. Um deles, localizado na rua Emílio dos Santos, transformou-se em armadilha para motoristas e pedestres. “Volta e meia tem gente caindo de moto por aqui. Semana passada, uma mulher tropeçou nesse lugar e acabou quebrando a perna”, conta Petrônio Gomes da Silva, ex-presidente da associação de moradores local.

Não muito distante dali, no Parque Rossevelt, as carências envolvendo as vias públicas se repetem. Poucas ruas do bairro possuem asfalto - e quando têm, são de péssima qualidade. A Sargento Leôncio Ferreira dos Santos, por exemplo, não conta com captação de águas pluviais. Quando chove, o local se transforma em um verdadeiro lago.

Para piorar, a via é cortada por inúmeras travessas sem pavimentação. Em dias de temporal, a enxurrada lava o solo, deixando o asfalto coberto de lama. Amilton de Souza tem uma oficina mecânica na esquina da Sargento Leôncio Ferreira dos Santos com a rua Luiz de Souza - que por sinal, está tomada pelas erosões. “Aqui funciona assim: de um lado é ‘piscina’, do outro é buraco”, diz.

A precariedade das vias do Parque Rossevelt tem causado prejuízos ao mecânico. “Essa buraqueira afasta a freguesia. Quem vai querer vir até minha oficina, correndo risco de danificar ainda mais o carro?”, pergunta.

A questão colocada por ele tem fundamento, e Valdeloir Granato de Lima, 42 anos, teve a chance de experimentar isso em diversas oportunidades. Desde que se mudou para a rua Luiz de Souza, há cinco anos, ele tem colecionado acidentes com seu velho Opala.

“Os buracos já danificaram diversas peças: disco de fricção, saia dianteira do pára-choque, tanque de combustível”, lembra. Algum tempo atrás, Granato chegou a ficar duas semanas “ilhado” com seu automóvel. “Era época das chuvas e eu não conseguia tirar o carro da garagem”, garante.

Com tantos buracos espalhados pelas cidade, acidentes passam a ser comuns. Diva Dias vive no Jardim Solange, bairro cujas ruas ainda não contam com pavimentação. Meses atrás, ela descobriu como é cair em um buraco.

“Eu estava levando uma vizinha até o banco e não consegui desviar da cratera que havia na rua”, lembra. Na ocasião, a frente do veículo ficou completamente amassada. Além de causar acidentes, as vias esburacadas acabam privando moradores de serviços essenciais.

Ambulâncias, viaturas policiais e entregadores evitam circular por bairros como o Jardim Solange. No Jardim Andorfato, onde as ruas estão sendo comidas pela erosão, nem ônibus entra. Benedita Francisca Vasconcelos, 53 anos, costuma ouvir muitas queixas quando precisa voltar para a casa de táxi. Zelosos, os motoristas ficam enfurecidos por terem de circular por entre as crateras das ruas empoeiradas.

“Eles dizem: ‘Vocês não sabem reclamar?’ Puxa vida, isso é a única coisa que tenho feito nos últimos tempos”, diz Vasconcelos, que está há dez anos na presidência da associação dos moradores do bairro.