08 de julho de 2026
Bairros

Plano Diretor

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Às vezes quando reclamam dos problemas da cidade, alguns líderes comunitários costumam exagerar. Desinformados, chegam a desconhecer os canais corretos para se fazer reivindicações e queixas. Isso pode ser notado na fala de alguns participantes das reuniões do Plano Diretor (PD) do município.

O aposentado Luiz Rodrigues de Moraes foi delegado do Jardim Andorfato nas discussões do projeto. Freqüentando os encontros, ele acreditava poder conquistar asfalto para o bairro. Como pavimentação não faz parte dos temas abordados pelo plano, ele se encontra insatisfeito, atualmente. “Não valeu de nada”, reclama.

A exemplo dele, a costureira Maria Pedrolina Alves Salles, presidente da Associação dos Moradores do Jardim Ivone, também não compreendeu muito bem os objetivos dos encontros abertos à população. “A gente estava lá só para fazer volume na sala”, reclama.

Ela freqüentou a escola só até a 4.a série do ensino fundamental e confessa não ter sido capaz de entender grande parte dos termos técnicos empregados nas discussões. “Esse pessoal da prefeitura é estudado e vive falando ‘nos códigos’, de um jeito que pobre não entende” explica. Salles acabou ficando perdida em meio a um palavreado tão complexo. “Para falar a verdade, muitas vezes votei sem saber do que se tratava”, reconhece.

Para sorte do município, as dificuldades de entendimento não chegaram a afetar todos os que freqüentaram das reuniões do PD. Alan Carlos Ursulino de Paula, presidente da Associação dos Moradores do Núcleo Presidente Geisel, considera que as discussões foram satisfatórias.

“Tivemos muito espaço para falar, sim”, garante.

Diva Dias, que até ano passado era líder comunitária no Jardim Solange, também não tinha do que reclamar. “O tratamento que recebemos nas reuniões foi ótimo. Todo mundo estava bastante entusiasmado”, afirma.

Mas mesmo Dias e Paula não andam muito tranqüilos quanto aos rumo dos PD. Os dois temem que o projeto original sofra alterações antes de ser aprovado pela Câmara Municipal. “Se fizerem isso, vão colocar a perder um trabalho de meses e meses”, diz ele.