08 de julho de 2026
Ser

Minha história: Cartas de amor


| Tempo de leitura: 4 min

Eu era uma pessoa fechada, nunca conseguia me expressar direito com as pessoas. Sempre fui muito insegura e tenho tendências depressivas. Entre essas e outras tive um amor platônico, quer dizer, não foi bem amor, mas durou dos 12 aos 16 anos.

Eu escrevia muitas cartas para amigos distantes, era uma forma de desabafar, e eu me sentia à vontade me correspondendo com pessoas de várias cidades.

Assim conheci uma pessoa que marcou minha vida! Eu havia acabado de completar 16 anos. Através de cartas, falávamos de nossas vidas, nossa família... Dentre muitas conversas de cartas descobrimos muitas coisas um do outro, e similaridades incríveis!

Dentro de pouco tempo éramos grandes amigos. Era inacreditável o grau da nossa amizade! Acho que o que intensificou ainda mais foi quando ele passou por uma enorme dificuldade e me pediu ajuda, pois tinha depressão, e eu comecei ajudá-lo com minhas palavras sinceras, minhas ligações, meu carinho. Mas nunca tínhamos nos visto pessoalmente.

Quando percebi estava sentindo uma enorme saudade, sonhava acordada com seus abraços, com seu jeito, seu cheiro... a cada dia a ânsia de saber mais, de receber notícias suas, ficava o dia todo esperando as cartas freqüentes, seus telefonemas. Quando me dei conta estava apaixonada, e fiquei emocionada quando descobri que era correspondida!! Nosso sentimento ficou mais nítido e exposto em cada carta, eram palavras tão lindas! Palavras que mexeram profundamente comigo. Mas eram só palavras, e eu não sabia, eu não sabia que eram só palavras, que não passavam do papel.

Como podia? Isso não podia estar acontecendo, duas pessoas que nunca se viram, como podiam estar apaixonadas? Eu não sabia, apenas sentia e naquele momento nada para mim importava; mal me importava o mundo, mal me importava a distância que nos separava. A única coisa real para mim era o que sentíamos um pelo outro.

Nosso sentimento já não cabia mais nas cartas, precisávamos nos ver. Ah, eu sonhei tanto com nosso encontro! Só pensava em vê-lo, não conseguia me concentrar em mais nada, eu estava loucamente apaixonada...

Infelizmente nosso encontro não foi como havíamos imaginado, já havia outros planos em seus pensamentos, eu já não estava mais incluída neles, eu já não estava presente nos seus sentimentos... Foi muito tarde ou muito cedo? Até hoje não sei.

Eu senti que quando nos encontramos ele queria me dizer alguma coisa, eu também queria dizer, ou simplesmente abraçá-lo e dizer que eu queria ficar do seu lado, mas tive medo e hoje vejo que ele também estava com medo. Acho que nosso maior erro foi permitir que as coisas fossem rápido demais, não tivemos tempo para olhar ao nosso redor, só pensamos em nós dois, só aí foi possível pensar na distância que nos separava, pensar em nossos pais, nossa família... só aí notamos nossa diferença, porque o nosso amor passou de sonho para realidade, realidade que virou um pesadelo para mim. Éramos duas crianças pensando apenas no momento, e olha só no que deu!!

Conversamos e ele achou melhor dar um tempo para pensar seriamente na nossa história, ficou combinado que seríamos apenas amigos por enquanto, para que pudéssemos nos conhecer melhor, com o coração apertado e os olhos transbordando aceitei. Mas no meu pensamento, dentro de mim eu não queria, tinha medo de perdê-lo, mas eu burra, ingênua e medrosa não tive coragem de lutar e relutar seu pedido, passaram-se dias, semanas, meses e “éramos somente amigos”, nos tratávamos como simples amigos, e eu sofria por dentro morrendo de vontade de gritar e dizer o que eu sentia, mas preferi sofrer calada com medo do que ele poderia me dizer, confirmar em palavras o que eu já pressentia: “que já havia te perdido”...

Já não era mais a mesma coisa, éramos frios um com o outro, as cartas já não eram mais tão freqüentes, eu ficava o tempo todo vasculhando em suas cartas procurando algo que me fizesse acreditar que ainda existia sentimento, mas foi inútil, não demorou muito e aquelas palavras ficaram gravadas no meu pensamento:

“Tudo o que aconteceu entre nós dois foi legal, mas foi empolgação que já passou, hoje vejo em você apenas uma grande amiga, me desculpe eu nunca menti pra você...” E assim tudo terminou, mas pra mim nada havia terminado, meu sofrimento só estava começando. Me perguntava constantemente por quê, perdi meu chão e o sentido. (Continua na próxima edição)

Erica