Bauru tem aproximadamente 2,7 milhões de metros quadrados de área verde, o que inclui parques, praças, canteiros centrais e outros espaços. O número impressiona, entretanto, são poucos os locais que oferecem condições de uso pela população. O Bosque da Comunidade seria um exemplo a ser seguido, mas por falta de dinheiro a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) não vê, a curto prazo, a possibilidade de criar novos parques.
Há um projeto para transformar a área verde que existe entre o Núcleo Geisel e o Camélias em um parque de uso público, mas o custo disso torna a obra inviável. Segundo o secretário do Meio Ambiente, Carlos Alexandre Barbieri, o projeto não sai por menos de R$ 5 milhões. A título de comparação, para o próximo ano o orçamento da Semma para investir em projetos novos e ainda fazer manutenção do que já existe é de R$ 350 mil.
Por causa da falta de recursos, Barbieri fala que uma das alternativas para atacar os problemas ambientais da cidade e pôr em andamento projetos novos são as parcerias. A exemplo do que é feito com as praças, a Semma tem também projetos para adoção de bosques. Mas por se tratar de uma área bem maior, é difícil achar interessados.
Além do Bosque da Comunidade, apenas dois outros espaços públicos têm condições razoáveis de oferecer melhor qualidade de vida à população: o Parque Vitória Régia e o bosque do Núcleo Geisel. Este último está longe de ser um local adequado para a prática de esporte ou lazer, mas os demais estão ainda piores.
O Jornal da Cidade visitou os cinco parques mais conhecidos de Bauru na semana passada. O Bosque da Comunidade, localizado na quadra 28 da rua Araújo Leite, é o que cumpre seu papel com mais eficiência.
Apesar das limitações pela falta de melhor manutenção aqui ou ali, o bosque é uma referência para os demais. O local é freqüentado por centenas de pessoas todos os dias para as mais diversas finalidades.
De manhã e no fim da tarde, há sempre pessoas caminhando ou correndo pelas trilhas do bosque. Casais de namorados aproveitam os bancos, a sombra e o canto dos pássaros para viver momentos românticos ou apenas conversar. Há aqueles que se refugiam no bosque para ler, meditar, descansar ou brincar, como fazem as crianças no parque infantil.
A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) oferece aulas de alongamento todos os dias. Às segundas, quartas e sextas-feiras, as aulas ocorrem das 8h às 10h. Nas terças e quintas, o horário é das 7h às 9h, segundo informa o professor de educação física Eduardo Mattos, 33 anos.
As aulas são gratuitas e abertas à participação de qualquer pessoa. Segundo a bancária aposentada Cristina Lopes, 49 anos, a atividade existe há pelo menos dez anos, mas nem sempre foi oferecida todos os dias como é agora.
“É muito gostoso (participar do alongamento) porque reúne pessoas de todas as idades. Ainda mais em um espaço maravilhoso como esse. E o que é melhor, a custo zero”, elogia.
O Bosque da Comunidade fica aberto todos os dias das 6h às 18h. Além de um jardineiro o dia todo, o bosque conta também com vigilantes à noite. O local foi inaugurado em setembro de 1980 e já naquela época a criação e conservação de parques públicos fazia parte dos planos do município.
A placa de inauguração traz a seguinte inscrição: “Esta praça é mais um passo na longa caminhada rumo à reconquista e preservação das áreas verdes de Bauru”. O prefeito na ocasião era Osvaldo Sbeghen e Alcides Franciscato, o vice.