Ontem, debatendo questões políticas, discutíamos privatizações. A questão era: se a Vale do Rio Doce não tivesse sido privatizada ela daria o lucro que hoje dá? Sinceramente, acredito que não. Não do jeito que hoje lucra, poderia ser menor, mas seria um lucro nacional, o capital seria investido no Brasil.
A Vale emprega hoje mais do que antes. Além disso, suas ações valorizaram-se 500%. Ótimo, mas isso beneficia quem?
Não sou totalmente contra a privatização, vamos conversar. Se é para a empresa modernizar- se, ganhar porte de empresa global, é porque ela tem capacidade para isso. Então, neste caso, temos entre outras, duas possibilidades palpáveis: privatizar e fazer acordos com a parte interessada ou trazer investimento do capital estrangeiro.
Privatizando de maneira racional garante-se que os lucros sejam investidos no Brasil, quebra-se desta forma a eterna condição do país de “vaca leiteira”; quebra-se a eterna situação “metrópole-colônia”. Isso, se formos falar em privatização...
Aí, darão-me o exemplo clássico do setor de telefonia. Dirão: se não tivesse sido privatizado, teríamos hoje linhas telefônicas como se tem televisores nas residências? E os serviços, seriam bons? Dizem por aí que “só os amigos do rei teriam linha telefônica”.
Assim como a Petrobras, com o setor peculiar em expansão, teríamos investimento e pesquisas na área, porque o mercado estava alta. Foi o que eu disse, poderíamos ter investimento de capital estrangeiro, para auxiliar e ganhar tempo, mas não entregar assim de “mão beijada”. De “mão beijada” porque para onde vocês acham que vão os lucros da empresa espanhola? Qual a preocupação dela e de outras empresas para com o Brasil? Já faziam isso há pelo menos 450 anos atrás. Lembram-se?
Um exemplo comum e nem por isso banal é o da vaca. Se você tem uma vaca que pode dar 25 litros de leite e ela só rende 5 litros, o que vc faz? Investe para conseguir a capacidade máxima ou faz um churrascão dela?
Gabriel Ruiz