Santiago - A morte do ex-ditador chileno Augusto Pinochet provocou manifestações contundentes de organizações de defesa dos Direitos Humanos, de políticos e governos de esquerda e comentários reticentes dos governos britânico e francês.
A deputada socialista Isabel Allende, filha do presidente chileno Salvador Allende, deposto por Pinochet, disse que os julgamentos dos envolvidos em casos de violação dos direitos humanos devem continuar, apesar da morte do ditador.
“Com sua morte não se encerra nenhum capítulo, nem da verdade, nem da justiça, nem da responsabilidade”, disse.
Na Argentina, a morte do ditador chileno foi considerada a sua “salvaguarda” pela Asociación Madres de Plaza de Mayo. Beba Evel Petrini, secretária da organização afirmou que “Pinochet é o responsável pela ditadura, os assassinatos e não pagou nada por isso, mas demonstrou abertamente sua covardia ao escudar-se na doença e na idade”.
Para a presidenta das Avós da Plaza de Mayo, Estela de Carlotto, “para o Chile, a América Latina e o mundo inteiro é um alívio que Pinochet tenha deixado de pertencer ao mundo”.
A reação britânica à morte do general foi evasiva. “Queremos render homenagem aos avanços que o Chile fez nos últimos 15 anos como democracia aberta, estável e próspera”, disse a ministra de Relações Exteriores, Margaret Beckett.
Já Margaret Thatcher, ex-lider do governo conservador entre 1979 e 1990 está “profundamente entristecida” pela morte do general chileno, segundo informou um porta-voz da ex-primeira ministra. Pinochet apoiou o Reino Unido na guerra das Malvinas, contra a Argentina, em 1982.
Jack Lang, conselheiro da candidata socialista à presidência da França, Ségolène Royal, disse que a morte do ditador “desgradaçamente impedirá que se faça justiça plenamente ao povo chileno que foi duramente oprimido, humilhado, violentado, torturado e roubado”. Em Caracas, o vice-presidente da Venezuela Josî Vicente Rangel afirmou que a morte do ex-ditador selou sua impunidade.