09 de julho de 2026
Internacional

Morre o ditador chileno Pinochet

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Santiago - O ex-ditador chileno Augusto Pinochet morreu ontem, aos 91 anos, no Hospital Militar de Santiago. Pinochet havia sido internado às pressas na madrugada do último dia 3, após sofrer um ataque cardíaco.

Pinochet passou os últimos anos de sua vida morando em Santiago e enfrentando acusações de abusos aos direitos humanos e fraudes cometidos durante os 17 anos em que esteve no poder.

Sob seu regime, mais de 3 mil pessoas foram mortas. Apesar das acusações, o ex-general não chegou a ir a julgamento, já que sua equipe de defesa alegou que sua saúde é frágil para que ele enfrente o processo judicial.

Recentemente, quando completou 91 anos, Pinochet divulgou comunicado afirmando que assume a “responsabilidade política” pelos atos cometidos durante seu regime, mas que a razão para suas medidas era “fazer do Chile um grande país e evitar a desintegração”.

“Perto do final dos meus dias, quero manifestar que não guardo rancor de ninguém, que amo a minha pátria acima de tudo, que assumo a responsabilidade política de tudo que aconteceu”, afirmou o ex-ditador em mensagem lida por sua mulher, Lucía Hiriart.

Pinochet enfrentava processos por crimes de violações dos direitos humanos, fraude ao fisco e uso de passaportes falsos no chamado Caso Riggs - aberto após a descoberta de contas secretas no Exterior, nas quais ele acumulou US$ 27 milhões, cuja origem não foi determinada.

Entre os processos relacionados a direitos humanos, figuram o desaparecimento de dissidentes em 1975, na chamada Operação Colombo, na qual Pinochet foi acusado de envolvimento no seqüestro de três dissidentes por serviços de segurança de seu governo.

O ex-ditador chegou a ser preso em diversas ocasiões em conexão com os crimes. No mês passado, o juiz Víctor Montiglio ordenou a prisão domiciliar o ex-ditador como suposto responsável pelo seqüestro e homicídio de dois presos políticos em 1973, dentro do caso chamado “Caravana da Morte”. As duas vítimas da “Caravana”, Wagner Salinas e Francisco Lara, eram membros da segurança do presidente socialista Salvador Allende, que se suicidou no palácio de La Moneda no golpe liderado por Pinochet em 11 de setembro de 1973.

Em 2006, o general Manuel Contreras, que chefiava a Dina (polícia secreta chilena) sob o regime de Pinochet, testemunhou ao juiz Claudio Pavez que Pinochet e seu filho, Marco Antonio, estariam envolvidos na produção clandestina de armas químicas e biológicas e no tráfico de cocaína. As acusações estão sendo investigadas pela Justiça chilena.