Queira ou não, qualquer que seja o tipo de agrupamento, desde a mais simples agremiação até o governo de uma nação, o líder sempre se transforma em modelo para a sua comunidade. De Bill Clinton a George Bush, de Blair a Bin Laden, de Chavez a Ahlmejadin, de Lula a Fernando Henrique, todos eles têm exercido forte influência nos contornos da história. Os líderes têm que saber de tudo o que se passa, pois os atos dos subalternos são realizados em nome deles e, supostamente, com a sua aprovação. A questão é que o poder se transformou num jogo no qual prevalece astúcia e dissimulação para encobrir os atos com cortinas de fumaça e para buscar o momento certo para atacar.
Não se fazem embates claros e objetivos das idéias. Muitos líderes estão adotando métodos inflexíveis e suas decisões são tomadas de forma mecânica sem que ouçam com sinceridade a intuição e os reais interesses da população. Não se preocupam em promover o equilíbrio entre todas as camadas sociais, permitindo a insubordinação e o colapso em muitas áreas. Isso tudo conduz para o caos e para a desorganização absoluta. Como membros da sociedade, todos ansiamos em participar de algo maior e que não fique restrito a uma minoria. De novo a humanidade se polariza: castas mais ricas de um lado e as mais pobres de outro. E disso se prevalecem os líderes, cujo papel seria o da integração. O senso de comunidade que já tivemos, acabou sendo perdido ao longo do tempo com a redução da ética e da moral. Não será de estranhar se esses líderes não conseguirem visualizar soluções duradouras para as questões humanas, permitindo a gestação de discordâncias e conflitos. Atualmente observa-se que uma parcela considerável da população está se afastando de padrões mais austeros de retidão do caráter, passando a aceitar como normais, desvios de conduta, entrando no jogo de interesses que lhes é dado perceber. Ganhar dinheiro é o que importa, sejam quais forem os meios empregados. Muitos políticos, em campanha eleitoral, utilizam-se de atitudes de astúcia e fingimento, se fazendo de bonzinhos para se aproveitarem da boa índole da população. Quando assumem o poder, rapidamente desarticulam e desorganizam toda a estrutura para atingir seus objetivos de dominação.
Lutando pelo poder os comandantes passam a demonstrar fraquezas, perdendo autoridade; suas ordens vão se tornando confusas, seus subordinados perdem a disciplina, tudo se encaminha para o caos. Muitas decisões que deveriam ser tomadas ficam se arrastando indefinidamente até perderem a sua eficácia. No exercício do jogo do poder não sobra muita energia e disposição para cuidar da melhora geral, os conflitos tendem a se agravar, e quando a população se aperceber disso, poderá ser tarde demais.
O autor, Benedicto Ismael Camargo Dutra, é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP