Brasília - A reeleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado ganhou novo impulso com a confirmação da filiação da senadora Roseana Sarney (MA), ex-PFL, ao PMDB. Agora com 19 senadores, os peemedebistas detêm a maior bancada da Casa, o que reforça o apelo para a recondução de Calheiros ao posto contra a tentativa do senador José Agripino (RN), candidato pefelista apoiado pelo PSDB. Após as eleições de outubro, os pefelistas contavam com 18 senadores; o PMDB, com 17.
A filiação de Roseana foi formalizada ontem em São Luís, domicílio eleitoral da senadora, de forma discreta. O diretório pretende fazer em breve uma festa, com a presença dela. Deve haver também uma cerimônia em Brasília. Segundo Roberto Costa, vice-presidente do diretório municipal do PMDB em São Luís, a senadora não deve assumir cargos na estrutura partidária agora -para isso, o estatuto da sigla exige um período de filiação mínimo de seis meses. Até então, Roseana integrava a bancada do PFL, partido pelo qual disputou e perdeu o governo do Maranhão.
A contragosto da cúpula pefelista, ela apoiou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2002, Roseana já havia declarado voto em Lula. Fez isso impulsionada pelo pai, o senador José Sarney (PMDB-AP), que nos últimos quatro anos, foi um dos aliados mais importantes do petista. A declaração de apoio a Lula fez com que o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, abrisse um processo para a expulsão de Roseana do partido.
A situação ficou insustentável depois que ela foi derrotada por Jackson Lago (PDT) no Maranhão. A pedido de Renan, Roseana passou quase dois meses sem partido. Ele não queria que a filiação imediata dela ao PMDB precipitasse o lançamento de um pefelista à sua sucessão. Logo após a eleição, o PFL reivindicou o direito de presidir o Senado por ter saído das urnas com a maior bancada.
Pelo regimento interno do Senado, o partido com maior número de senadores têm o direito de ficar com a presidência. Os pefelistas insistem nesse argumento. Mesmo assim, qualquer senador pode disputar a presidência como candidato avulso, como já ocorreu.