10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Animal inocente. Dono, não


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O trágico da questão do pit bull é que o animal é inocente. O dono não, em 99,99 por cento dos casos. Durante a criação do animalzinho, ele adquire a personalidade do dono. Se o dono é violento, o animal torna-se violento. Frente às estatísticas, é de se presumir a violência irrascível do pit bull, porque quem cria a raça já tem tendência para a violência. Já não o faz bem intencionado. Com razão o policial PM, pois não se pode esperar que o cão ataque para saber se ele é violento. Aliás, o critério do policial está politicamente correto e deveria ser aplicado aos ocupantes de cargos públicos, quando flagrados em delito contra o erário público. Em termos de cofres públicos, deve-se matar a fera primeiro e verificar depois.

Não tem essa de que se presume a inocência até provar o contrário. Em 99,99 por cento de envolvimento em desvio de verbas públicas, o político não é inocente. E se for, poderá ser restituído ao cargo com todas as honras, mas deve ser afastado “initio litis” ante à menor suspeita. As coisas andam invertidas no Direito Administrativo e esta é uma das principais fontes da impunidade. Dos cofres públicos dependem os doentes que aguardam em macas nos corredores dos hospitais; dependem as estradas, a assistência aos necessitados,enfim, o interesse público que deve prevalecer diante dos interesses individuais. A ordem das coisas anda invertida. Isto precisa ser corrigido.

Venício Augusto Francisco