08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Gênio, existe?


| Tempo de leitura: 2 min

É comum ouvir esta expressão popular: você é um “gênio”, seja numa forma carinhosa, afetiva ou no modo profissional, dando ênfase ao seu trabalho. Cito alguns “gênios” da nossa história em seus respectivos campos: Sigmund Freud, pai da psicanálise; Albert Einstein, pai da teoria da relatividade; Charles Chaplin, ator, diretor, produtor, roteirista; Salvador Dalí, pintor espanhol; Alberto S. Dumont, pai da aviação; Pelé, jogador de futebol.

O mundo reverencia e considera estas unanimidades como “gênios”, por suas descobertas e realizações, cada qual no seu campo de atuação. Visto por um ângulo inferior, realmente, estes homens são tratados com o título, por suas teorias, artes, enfim, pessoas que revolucionaram e encantaram uma época, servindo de referência, até nos dias de hoje. Mas gênio, eles não são, porque não existe. Na realidade, o que existiu para estas pessoas unânimes, é uma extrema inteligência, superior ao normal, para desenvolver o talento criativo nos seus projetos, nas suas idéias, fazendo a diferença entre as pessoas comuns. É claro que todo ser humano tem seu potencial para desenvolver um trabalho, só que em menor escala de inteligência, o que isto não implica em inferioridade como ser humano. Não tiro o mérito desses homens que mudaram o conceito, a arte de uma geração, mas também não os outorgo com o título de gênios. Muitos cientistas que são considerados “gênios” brincam de Deus, pois sustentam que conseguem “milagres” da ciência, desrespeitando as regras éticas, morais e humanas, que são vitais.

Einstein admitiu que sua teoria teve forte influência do escocês Hume. Dalí, teve apoio de um grupo parisiense para desenvolver sua pintura no surrealismo. Freud escreveu o livro “A histeria” em conjunto com seu amigo Josef Breuer, para estabelecer a base das teorias psicanalíticas. Dumont conseguiu desenvolver seu projeto de voar esmerando na engenhoca dos irmãos Wright. Enfim, “gênios” não criam, apenas aprimoram suas idéias, seus projetos, baseados em alguém ou alguma coisa. Gênio é Deus, pois Ele cria do nada e transforma para a vida. É fácil descrever estes “gênios” talentosos que revolucionaram nosso mundo, o que é difícil é descrever o Deus-gênio. Deus, que com um sopro, transformou o barro inerte do primeiro homem, num ser dotado de vida. Quando chamar alguém de “gênio”, lembre-se da importância desta palavra.

Paulo Roberto dos Santos - RG 12.172.522