A Unidade de Internação (UI) e Unidade de Internação Provisória (UIP) da Febem de Bauru foram inspecionadas no dia 6 de outubro. Ao todo, a unidade local Bauru abriga 20 adolescentes na UIP e 48 na UI. Eles relataram à comissão, as humilhações, sessões de espancamento e como alguns funcionários “recebiam” os novatos. Quem chegava na unidade, levava uma surra de “boas-vindas”. “No primeiro dia que nós chega, nós apanha pra caramba...”, disse um interno à comissão.
O relatório descreve que, ao chegarem nas unidades, apanhavam de três funcionários, com socos e pontapés, e depois tomavam uma ducha fria, para evitar hematomas. Os adolescentes afirmaram às entidades que os “homens de preto”, agentes de segurança chamados “MIB” em alusão ao filme “MIB: Homens de Preto”, participam dessas agressões aos que chegam.
De acordo com o relatado, os jovens são agredidos com sapatos, escudos e cacetetes e que eventualmente eram obrigados a rezar enquanto apanham. As denúncias que levaram ao afastamento do então diretor foram feitas no dia 13 de setembro. Os adolescentes garantiram que o diretor Antônio Parras, sabia e via os espancamentos. “Ele (o diretor) é responsável pelos seus funcionários”, aponta Maria Orlene Daré, subcoordenadora do Conselho Regional de Psicologia e membro da comissão.
Os adolescentes também relataram à comissão o caso de um companheiro que, impedido de ir ao banheiro durante a noite, urinou em suas roupas. Outro alegou ter contraído tuberculose na unidade e um outro foi agredido com tanta violência que chegou a urinar sangue, depois foi colocado na ala de sanção e, ficou deitado diretamente na beliche de alvenaria sem colchão, o que causou-lhe uma pneumonia.