10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Venda de carro sobe 49% em dezembro

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

O comércio de veículos em Bauru está aquecido. As vendas de carros novos e usados cresceram 49% na primeira semana cheia de dezembro em comparação com os números atingidos no mesmo período de novembro. Do dia 4 ao dia 11 deste mês foram comercializados 378 automóveis, uma média de 54 negócios concretizados diariamente. São 124 vendas a mais em relação à primeira semana completa do mês passado (de 6 a 13).

Os números obtidos com cinco concessionárias - das marcas Fiat, Ford, Chevrolet, Volkswagen e Peugeot - refletem a tendência nacional de crescimento nas vendas em dezembro. Segundo a agência de notícias Autoinforme, no País, 8.789 veículos deixaram as concessionárias diariamente na primeira semana completa de dezembro, o recorde do ano.

Segundo o diretor comercial da concessionária da Volkswagen em Bauru, José Antônio Rossini, o total de vendas na cidade em 2006 já bateu os números atingidos nos últimos dois anos. “Em 2004, foram emplacados 5.525 veículos de todas as marcas. Em 2005, o total chegou a 5.932. Agora, até novembro deste ano, o total chega a 6.021”, revela.

Ele acredita que fatores estruturais, como facilidade de transporte e deslocamento, atraíram novos empreendimentos para a cidade, o que resultou num crescimento da economia, refletindo no mercado. “Bauru cresce numa proporção maior se comparado a outras regiões do Estado. O consumidor percebe isso e sente seguro em aproveitar as facilidades oferecidas pelas concessionárias”, acredita.

De acordo com Fernando Vieira de Mello, gerente de vendas da revenda Chevrolet da cidade, o crescimento nas vendas em dezembro é normal. “O segundo semestre em geral é melhor. Notadamente, nos três últimos meses do ano o setor aquece ainda mais. E em dezembro, como existe muita promoção, o consumidor costuma aproveitar o 13º para trocar de carro”, destaca.

Osvaldo Machado de Campos, gerente geral da concessionária Fiat em Bauru, pensa que os atrativos são os principais chamarizes ao consumidor. “Todos têm a imagem da desova da linha 2006, o que não deixa de ser verdadeiro. As montadoras e revendas repassam bônus e conseguem fazer ofertas especiais, o que aliado a brindes, taxas de juros baixas e prazos longos, convence o cliente”, afirma.

O diretor de uma concessionária Ford da cidade, Jorge Simão Neto, acredita que as vendas irão superar marcas históricas devido a uma demanda reprimida. “Nos últimos anos notamos que o comércio de veículos ficou estabilizado, pois os constantes aumentos de preços afugentavam o consumidor. Os preços, neste ano, praticamente não mudaram. Isso, aliado às facilidades, incentiva esse consumidor que esteve afastado por um tempo.”

Apenas a concessionária da Peugeot não acredita que as vendas sejam superiores neste mês. “Pensamos que irá fechar na mesma média. Dezembro, de certa maneira, fica prejudicado por ser um mês economicamente menor em relação aos outros. Quem não vende até o dia 23, dificilmente fecha algum negócio posteriormente”, ressalta a gerente geral Elizângela Schmoller.

Na contramão

A terapeuta Lúcia Helena da Silva está na contramão da tendência do consumidor bauruense. Ela tem um automóvel há quatro anos e não pretende se desfazer dele tão cedo. “Não penso em trocá-lo porque ele está sendo muito útil para mim. Só irei vendê-lo quando estiver dando muita manutenção e eu perceber que estou gastando muito.”

Ponderada, a mulher considera o veículo um instrumento de trabalho em primeiro lugar. “Não tenho essa ânsia de passar o final de ano com carro novo”, diz. Ela prefere manter cautela com relação a promoções e compras a prazo. “Quando for trocar de carro, só vou fazer com a certeza de que terei dinheiro para pagar à vista para não ter dor de cabeça. Já chega as contas que tenho que pagar todo mês”, opina.

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Olho vivo

As facilidades são grandes para o consumidor. A reportagem apurou que existem planos de financiamento de até 72 meses, com a primeira parcela vencendo apenas em abril de 2007 e juros abaixo de 0,30% ao mês. Além disso, existem guerras de brindes, que vão de opcionais desejados até IPVA grátis por dois anos e tanque cheio.

No entanto, o economista Wagner Ismanhoto pede cautela ao consumidor. “Ele precisa fazer o negócio que esteja dentro das suas possibilidades e não se empolgar com aquilo que parece ser aparentemente imperdível. No mercado, ninguém faz caridade.”

Segundo o economista, o consumidor que assumir prestações precisa pensar no futuro.

“Primeiro ele tem que comparar o montante total pago a prazo pelo carro e o preço à vista e escolher a concessionária com melhor custo benefício. Depois tem que relativizar o impacto da parcela em seu orçamento. Mas o primordial é ter a certeza de que seu emprego é estável, para não passar por dificuldades futuras”, explica.