09 de julho de 2026
Nacional

Bornhausen se despede do Senado

Folhapress
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São Paulo - Em um discurso de despedida do Senado, o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), defendeu ontem o sistema parlamentarista como forma de dificultar supostos acessos autoritários proporcionados pelo presidencialismo, além de facilitar a substituição de governos que percam a confiança da sociedade. Essa foi apenas uma das estocadas do discurso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT.

Bornhausen disse ainda que não acredita em “personalismos nem em lideranças carismáticas” e afirmou que devemos “vigiar e orar” para manter a democracia. Exercendo seu segundo mandato de senador, Bornhausen não se candidatou à reeleição e tem afirmado que não pretende disputar mandatos eletivos. “Sou um homem de partido, solidário e fervoroso, não acredito no personalismo nem em lideranças carismáticas”, disse ele, no plenário.

O senador é fundador da Arena -partido de sustentação da ditadura militar-, do PDS e do PFL. Ele foi ministro da Educação no governo José Sarney (1985-1990) e ministro-chefe da secretaria de governo do presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992). No Senado ele foi relator da Emenda Constitucional Parlamentarista. “O sistema de governo parlamentar, em oposição ao presidencialismo - cujo viés imperial facilita o autoritarismo, apostando na onipotência de um único titular e personalizando o poder em detrimento dos programas-, é um conjunto de práticas de extrema racionalidade para o exercício do governo democrático.”

Bornhausen disse ter esperança de que o povo mude o veredicto dado contra o parlamentarismo no plebiscito de 1993. “Suas virtudes e soluções começam na simplificação para reduzir o impacto da substituição de governos que percam a confiança da sociedade. Em vez de crises institucionais, uma votação do parlamento, por maioria, os substituiria ou os consolidaria, sem traumas.”

O PFL tem feito uma oposição mais radical do que o PSDB. Na crise do mensalão, chegou a defender o impeachment de Lula, mas não levou a questão à frente por falta de apoio. Bornhausen fez referência ao processo movido contra Emir Sader, professor do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj, que foi condenado por crime de injúria contra o senador.

“Enfrentei sem medo tentativas covardes dos que pretenderam confundir minha posição de democrata centro reformista com radicalismos que sempre condenei e denunciei. Também não deixei sem resposta altiva os desaforados e grosseiros, processando judicialmente os difamadores, preservando minha honra.”