Bons exemplos em Bauru e na região não faltam de pessoas que já viajaram pelo Brasil e América do Sul utilizando apenas as rodovias que cortam o continente. Com os mais variados meios de transporte passando pelos ônibus convencionais e fretados, por automóveis, Land Rover e outros 4x4, caminhões, motocicletas e até bicicletas.
Segundo esses “aventureiros”, que poderiam vencer a distância em poucas horas de vôo, o estresse dos aeroportos superlotados, principalmente no final do ano por coincidir com o Natal, Reveillón e férias, o contato com a natureza, a possibilidade de parar onde bem desejarem, esticar ou encurtar os roteiros e curtir as mais diversas paisagens são os principais fatores que os levaram a optar por esse tipo de transporte.
O casal Cássio Carvalho e Maria Elídia, por exemplo, com freqüência embarca em sua moto BMW e “cai na estrada”. Recentemente, eles empreenderam uma viagem à Bahia, mas já cruzaram os desertos americanos e a Flórida e planejam outras empreitadas.
José Maria Estevam é outro fisgado pelo cheiro do asfalto. Conhece cada palmo desse chão que separa Bauru de Ushuaia, lá na Terra do Fogo, vinhedos, praias, montanhas, lagos e tudo o mais que a América do Sul oferece de bom. “Para quem tem tempo para desfrutar de seus encantos, sem pressa, num veículo bem equipado”, aponta.
Outros adeptos desse programão são os médicos Sebastião Benetti e Antônio Carlos Telles Nunes, que têm muitas histórias e fotos gloriosas para contar e mostrar, e o engenheiro Sérgio Sendi, que já cruzou desertos, lagunas e penhascos, chegando inclusive a Cusco e Machu Picchu no Peru, em “duas rodas”.
Numa dessas viagens chegou a Cusco com uma terrível crise renal que o obrigou a adiar seus planos, retornando a Bauru de avião. Para quem achava que desistiria a partir daí de subir numa “possante”, o engenheiro deu o troco: voltou ao Peru para retomar a máquina e fez o percurso de volta pela estrada do jeito que uma viagem lhe dá prazer.