10 de julho de 2026
Nacional

Petistas de São Paulo renegam o dossiegate

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Os quatro petistas ouvidos ontem na Polícia Federal (PF) em São Paulo negaram o envolvimento do diretório paulista do PT no dossiegate, ao delegado responsável pelo inquérito, Diógenes Curado. Cerca de três meses após os eventos que culminaram no pior escândalo das eleições deste ano, a PF ainda questiona as testemunhas sobre a origem dos recursos que seriam destinados para compra um dossiê contra políticos tucanos.

As primeiras informações dão conta de que os depoimentos de ontem não teriam ajudado a PF: os três primeiros testemunhos, de Paulo Frateschi, presidente do PT-SP, e dos tesoureiros Antônio dos Santos e José Giácomo Baccarin, não ultrapassaram uma hora cada e resultaram em cerca de duas laudas por depoimento. O último testemunho do dia, do petista João Vaccari Neto, segundo suplente do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), não se estendeu por mais de duas horas e teria sido repleto de negativas. Vaccari é homem de confiança do presidente licenciado do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), que foi defendido nas declarações dos petistas.

No relatório parcial já divulgado, Curado aponta que há indícios de que o deputado sabia do esquema, mas sustenta que as provas não são suficientes para incriminá-lo. Armação Segundo o advogado José Roberto Leal, os três primeiros petistas somente foram chamados para prestar esclarecimentos sobre a campanha do partido ao governo de São Paulo. “Eles desconheciam completamente qualquer situação relativa a dinheiro (para comprar o dossiê). ”

Para Frateschi, houve uma “armação” contra o PT no escândalo. “Tudo indica que as investigações já comprovaram que (o dossiê) não tem nenhuma ligação com o diretório estadual”, afirmou. O petista também negou o envolvimento de Ricardo Berzoini no caso, e afirmou desconhecer a origem do dinheiro apreendido no hotel Ibis, em São Paulo.

“Tenho esperança de que ele volte logo a dirigir o diretório nacional do PT”. Frateschi ainda rejeitou a idéia de que houve caixa dois na campanha de Mercadante ao governo de São Paulo. “Esta campanha foi diuturnamente acompanhada pela imprensa”.

Transbank

O delegado Diógenes Curado também investigou uma outra frente do caso e ouviu os funcionários da Transbank, empresa que teria feito o transporte do dinheiro encontrado em São Paulo com Gedimar Passos e Valdebran Padilha. Os dois funcionários que seriam ouvidos ontem, Heron de França Moura e Fábio Santos da Silva, não teriam testemunhado porque, supostamente, saíram da empresa, que foi representada pelo gerente de tesouraria Cláudio Cardilli, que saiu da superintendência da PF sem falar com a imprensa.

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Indiciamento de Lorenzetti

Brasília - Em meio à possibilidade de não ocorrer a votação do relatório final da CPI dos Sanguessugas por falta de quórum, o relator da comissão, senador Amir Lando (PMDB-RO), disse que vai apresentar o texto à CPI hoje.

O relatório deverá incluir elementos para solicitar ao Ministério Público o indiciamento de Jorge Lorenzetti, ex-coordenador da equipe de inteligência da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lando reconheceu, porém, que se algum parlamentar pedir vistas ao relatório, a comissão pode adiar a votação para a semana que vem - quando o Congresso estará esvaziado às vésperas do Natal. “Eu não tenho bola de cristal. A votação é questão do plenário. Vamos apresentar o relatório amanhã (hoje) a partir das 10h. Eu espero que o texto seja apreciado”, afirmou. O senador evitou adiantar trechos de seu relatório final, mas disse que o texto vai trazer sugestões práticas para o combate de “práticas delituosas” - como a protagonizada pela máfia das ambulâncias.

“O relatório tem um caráter propositivo para coibir práticas delituosas”, disse. Em reportagem publicada pela “Folha de S.Paulo”, o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), presidente da CPI, reconheceu que o relatório final pode ficar sem ser aprovado por falta de quórum. Segundo Biscaia, vários integrantes da CPI têm argumentado que não vão poder comparecer ao Congresso na semana que vem para estarem presentes em suas diplomações nos tribunais regionais eleitorais.