08 de julho de 2026
Internacional

Cúpula de militares pressiona Bush

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - O crescente grupo que pressiona o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para alterar sua estratégia na Guerra do Iraque conta agora também com os principais líderes das Forças Armadas americanas. De acordo com uma reportagem publicada ontem pelo jornal “The Washington Post”, a cúpula das Forças Armadas pressiona Bush para que o Exército dos EUA se concentre apenas em apoiar as tropas iraquianas e “caçar” terroristas, ao invés de se engajar no combate à insurgência.

Também ontem, a nova líder da Câmara dos Representantes dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, anunciou que pretende criar um painel no Congresso para examinar as ações e o orçamento das agências de inteligência americanas. A medida, se implementada, imporá controle ainda maior sobre as decisões de Bush no combate ao terrorismo e na Guerra do Iraque, que já recebem duras críticas dos democratas.

Para discutir a guerra, Bush e o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, se reuniram anteontem por mais de uma hora com a cúpula militar americana no Pentágono. Na reunião, não foram sugeridas mudanças dramáticas, mas os líderes militares ofereceram uma avaliação pragmática e dura sobre o que é e o que não é possível para o Exército alcançar no Iraque, segundo a reportagem publicada no “Post”.

De acordo com o jornal, a cúpula não apóia o envio de mais de soldados para o Iraque, mas vê como ação primordial para conseguir estabilizar o país o fortalecimento do Exército iraquiano. Os militares pressionaram Bush também para incrementar o esforço econômico e a reconciliação política entre os vários grupos do Iraque.

Fontes citadas pelo “Post” afirmam que o general George Casey, líder do comando americano no Iraque, também revisa atualmente um plano para redefinir a missão do Exército no país árabe. O novo plano prevê a retirada dos soldados americanos das cidades iraquianas e a transferência da responsabilidade pelo combate “cotidiano” de insurgentes para as forças locais. Casey, porém, admite a possibilidade de pedir um aumento das tropas dos EUA no Iraque, possivelmente para expandir o treinamento do Exército iraquiano.

No norte e no oeste do Iraque, comandantes dos EUA já estão movendo suas tropas para fora de missões de combate e realocando os soldados como conselheiros em unidades iraquianas, de acordo com o porta-voz do Exército americano no Iraque, major William Caldwell. A Casa Branca, no entanto, continua resistindo às pressões do Congresso e do eleitorado para abandonar o compromisso - ainda sem prazo para terminar - com o combate no Iraque.

Os chefes do Pentágono afirmam ainda que não é possível vencer no Iraque com soluções apenas militares. Oposição no Congresso Em sua própria forma de pressão contra Bush, Nancy Pelosi afirmou hoje que uma das primeiras tarefas do Congresso em janeiro, quando o controle de ambas as Casas passará para as mãos dos Democratas, será aprovar as recomendações da chamada Comissão do 11 de Setembro.