A Câmara Municipal de Bauru reúne seus 15 integrantes hoje, às 13 horas, para discutir e votar a formação do comando da Casa para o biênio 2007-2008. A última novidade na eleição foi antecipada pelo JC ontem com o retorno do vereador licenciado José Clemente Rezende (PDT) no lugar do também pedetista Antonio Faria Neto, que volta à suplência. Com isso, a bancada de situação tenta reequilibrar as forças na concorrência com a oposição.
Os parlamentares que mais articularam como possíveis candidatos à sucessão de Antonio Carlos Garmes (PSDB) foram Paulo Eduardo Martins (PFL), o primeiro a assumir sua candidatura, único a fazê-lo em público, o tucano João Parreira de Miranda e o pepebista Paulo César Madureira, que já presidiu o Legislativo no biênio 1999-2000.
A candidatura de Paulo Eduardo não decolou e, até ontem, a tendência era a de que ele pudesse apoiar o grupo situacionista. A chegada de Clemente Rezende para votar equilibrou o jogo que, até então, estava indicando maior força de aglutinação em favor de Madureira, pela oposição.
Tuguistas entraram em campo para articular, incluindo o próprio Clemente e o secretário de Finanças, Edmundo Albuquerque, além de outros contatos de menor peso, colocando peso na balança em favor da tentativa do grupo de não ver o comando da Câmara nas mãos da oposição nos últimos dois anos do atual mandato, sendo o final, em 2008, o da próxima disputa pela prefeitura.
As últimas articulações mostraram que Parreira deve concorrer tendo Primo Mangialardo (PV) como o mais cotado para a vice-presidência. De outro lado, a oposição tem Madureira como cabeça de chapa e discute as demais vagas, com exceção da indicação também de Pastor Luiz (PTB) para continuar ocupando uma das secretarias da Mesa.
Com isso, o retrato da véspera da eleição mostrava, até a noite de ontem, um grupo formado por Paulo Madureira (PP), Arildo Lima Júnior (PP), Marcelo Borges (PSDB), Benedito Silva (PSDB), José Carlos Batata (PT), Pastor Luiz Barbosa (PTB) e, possivelmente, Majô Jandreice (PC do B). A comunista não esconde descontentamento com o governo e, por isso, não mostrou muita disposição, até agora, em continuar participando do grupo governista.
O outro grupo que está conversando tem João Parreira (PSDB), com Toninho Garmes (PSDB) deixando claro que vota no candidato de seu partido, seja ele quem for, a bancada pedetista indicando que tende a votar fechado, sendo Salvador Afonso, Futaro Sato e agora Clemente Rezende em apoio a Parreira, Primo Mangialardo (PV) como vice, Rodrigo Agostinho (PMDB) próximo do grupo situacionista e Paulo Eduardo Martins (PFL) podendo abrir mão de sua candidatura em favor desta ala.
Mas a possível distribuição de tendências, que se manteve equilibrada ao longo de toda a semana, pode mudar, e muito, durante as conversas de bastidores de última hora, hoje, até a votação. Em eleições recentes, votos declarados ou negociados na véspera foram modificados na hora de enfrentar o microfone. Outra alternativa não menos plausível é, instantes antes da votação, o grupo que perceber como inevitável a derrota migrar de lado.
Divisor de águas
Seja qual for o resultado da eleição da Mesa Diretora na eleição de hoje, a disputa pelo Poder Legislativo mostra, de forma mais clara a partir de agora, a formação de grupos mais definidos na Câmara, sobretudo a partir da intervenção tuguista no cenário, através de alguns de seus principais assessores.
O quadro define petistas, pepebistas e parte do PSDB numa ala que, lá na frente, poderá se firmar contra a sucessão do atual governo na prefeitura. Situação esta que, nos próximos dois anos, fica mais demarcada com a intervenção tuguista na formação dos blocos de apoio e oposição ao atual governo.
O PDT, ex-partido de Tuga, tentava se posicionar como independente, mas o retorno de Clemente à Câmara, ainda que só para votar na eleição da Mesa hoje, voltou a reafirmar a legenda do lado do governo, isso com o presidente do partido Faria Neto na suplência.
Na mesma direção, Rodrigo Agostinho (PMDB) tem críticas mas continua próximo da situação, enquanto que com Majô Jandreice (PC do B) as freqüências nas reclamações a têm levado mais para o grupo de oposição, mas cuja postura em votações ainda não foi experimentado.
De evidente, a eleição de hoje mostra que os tuguistas resolveram agir para tentar reequilibrar forças e afastar o risco da oposição dominar os principais postos de comando na Casa na segunda metade do atual mandato. O resultado será conhecido hoje à tarde, na eleição da Mesa.