Um trabalho de meses destruído em poucas horas. Na margem esquerda do rio Batalha, na ponte que marca a divisa entre Bauru e Piratininga, uma extensa área de preservação permanente, que foi reflorestada pelo Fórum Pró-Batalha, mais uma vez foi destruída. O incêndio, que aconteceu em setembro, atingiu 60% das 25 mil mudas plantadas no local. A entidade explica que está aguardando o resultado de regeneração para avaliar o que terá de ser refeito pela quarta vez.
Depois do período da seca, a vegetação rasteira de braquiara cobriu a área onde as mudas de mata nativa foram plantadas. O projeto de reflorestamento dessa área, na altura do quilômetro 242 mais 600 metros da rodovia Bauru-Marília ,começou há cinco anos. Nesse período, as mudas já foram destruídas três vezes pelo fogo.
De acordo com o coordenador do Pró-Batalha, o engenheiro agrônomo Davi Pompei, a entidade está esperando a recuperação das plantas para avaliar o que terá de ser replantado. A expectativa é que em fevereiro o grupo comece a buscar ajuda da iniciativa privada para repovoar a área.
O local corresponde à terceira etapa de recuperação da mata ciliar do rio Batalha. Inicialmente, as mudas foram adquiridas com verba do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro).
Pompei explica que o governo não pode repassar verba para a manutenção de uma área que já possui um plano, portanto a necessidade de recorrer às empresas. Atualmente, o grupo está na quinta etapa do programa do Batalha e na quinta do rio Bauru.
Segundo o coordenador do Pró-Batalha, a proximidade da área reflorestada da estrada pode ser uma das causas para a freqüência dos incêndios. No fogo de setembro, Pompei lembra que foram acionados cerca de 40 voluntários para conter as chamas. A maior preocupação, era evitar que o fogo se alastrasse para outra área de reflorestamento. Porém, o esforço não impediu que 60% dos 14 hectares de replantio fossem queimados. Algumas mudas voltaram a brotar, porém, elas não se desenvolverão na totalidade.
Na divisa com Piratininga, o rio Batalha possui menos de dez metros de largura, então ao menos 30 metros de cada lado de sua margem é área de preservação permanente. Para conseguir recuperar essa mata ciliar, é elaborado um levantamento florístico, que determina as árvores que deverão ser plantadas.
Num espaço de mais de 10 hectares, deve existir no mínimo 80 espécies diferentes de árvores. Desse total, 50% devem ser de espécies primárias, que crescem mais rapidamente, levando 15 anos para atingir a fase adulta. As secundárias, que levam até 25 anos, devem ocupar 25% da área. O restante deve ser preenchido por árvores de madeiras de lei. Elas formam a mata fechada e depois assumem a maior parte da vegetação.