09 de julho de 2026
Política

Oposição elege Madureira e ganha Mesa

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

A partir de 1º de janeiro de 2007, a Câmara Municipal de Bauru será comandada pelo bloco de oposição ao prefeito Tuga Angerami (sem partido). De pouco adiantou a estratégia do ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) José Clemente Rezende (PDT) de reassumir o mandato de vereador para tentar virar o jogo. O candidato da oposição, Paulo Madureira (PP), recebeu oito votos e levou a melhor sobre João Parreira (PSDB), apoiado pelo Executivo, que teve sete votos, na sessão que escolheu o sucessor de Toninho Garmes (PSDB) no comando da mesa, realizada ontem.

De quebra, o bloco oposicionista elegeu uma Mesa Diretora nada simpática ao prefeito. Com a composição estabelecida com a maioria do grupo auto-intitulado independente, a oposição elegeu o vice-presidente José Carlos Batata (PT), Majô Jandreice (PC do B) na primeira secretaria e Benedito da Silva (PSDB) como segundo secretário.

Até a chamada em plenário para a eleição havia três candidatos a presidente da Casa, além de Parreira e Madureira: o vereador Paulo Eduardo Martins Neto (PFL). Este chegou a pedir a suspensão dos trabalhos para tentar uma última articulação com os demais vereadores. A oposição adotou a estratégia de não se retirar do plenário, para não dar munição aos adversários, e funcionou. Martins retirou a candidatura, deixando para Parreira e Clemente a difícil missão de conquistar votos perdidos, como os da vereadora Majô Jandreice (PC do B) e Salvador Afonso (PDT), o que não aconteceu.

O bloco de oposição também soube explorar bem o fato de Clemente voltar à Câmara, na véspera da eleição, no lugar de Antônio Faria Neto (PDT), cujo voto já estava contabilizado para Paulo Madureira. Os vereadores encararam o retorno de Clemente como uma tentativa do Executivo de interferir na eleição da Câmara. Para piorar, os vereadores Benedito da Silva (PSDB), José Carlos Batata (PT) e Marcelo Borges (PSDB), notórios oposicionistas, ainda declararam o voto em Madureira como uma homenagem a Faria Neto.

Frustração

Apesar do discurso de Parreira e Clemente, de que não houve interferência do Executivo, não foi possível esconder o sentimento de frustração pela derrota. Parreira não ficou até o final da eleição para compor a Mesa Diretora. Logo após o anúncio da derrota para Madureira, o vereador se retirou do plenário.

Já Clemente ainda tentou a última cartada, mas não foi bem sucedido. Para eleição de vice-presidente, o vereador tentou lançar o colega de partido Salvador Afonso, para concorrer com Batata pelo cargo. Na verdade a indicação de Afonso foi uma provocação ao comportamento do colega de bancada. Clemente disse ainda que seria uma homenagem ao “anjo da guarda” do colega, Faria Neto.

A resposta de Salvador Afonso foi negativa, recheada de críticas a Clemente e à administração. “Nós temos compromisso com a cidade, queremos essa cidade melhor, mas a gente tem que olhar também as pessoas que comandam nossa cidade com falta de respeito. Até ontem eu não sabia nem que ele (Clemente) voltava para a Câmara, li no jornal. E agora vem lançar o Salvador Afonso para vice-presidente? Me perdoa, eu nunca disse nesta sala que queria um cargo, todos os vereadores estão de testemunha. Eu dispenso esse cargo”, retrucou.

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Bancadas rachadas

O Jornal da Cidade expôs, durante a última semana, o racha das duas maiores bancadas da Câmara Municipal, o PSDB e o PDT. Os rachas partidários decidiram a eleição para presidente da Câmara, onde ficou evidente que nada será como antes nos dois partidos.

Os quatro vereadores tucanos se dividiram e votaram separadamente para presidente da Casa. Enquanto João Parreira teve o voto de Toninho Garmes, Marcelo Borges e Benedito da Silva, sob a batuta do primeiro, apoiaram Paulo Madureira (PP). Borges, por sinal, articulou o tempo todo de olho não na eleição da Câmara, mas no seu projeto político para 2008. O desejo de ser prefeito o teria levado a negociar com o comando do PP apoio daqui a dois anos.

Já os três vereadores do PDT também mostraram que em matéria de unidade deixam a desejar. Salvador Afonso votou em Madureira, enquanto Futaro Sato e José Clemente Rezende votaram em Parreira. Essa divisão foi determinante para a vitória de Madureira, pois os tucanos não votaram fechados no candidato do partido, e o pedetista Salvador Afonso votou isolado em sua bancada, mas na oposição.

Com a saída precipitada de João Parreira do plenário da Câmara, logo após a eleição, e a discussão entre Afonso e Clemente, ao final da sessão, a Casa entra em recesso com os duas maiores bancadas rachadas, e só no retorno, em 5 de fevereiro de 2007, será possível avaliar os estragos.