10 de julho de 2026
Nacional

Pilotos do Legacy são vistos como heróis nos EUA

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Em entrevista concedida na manhã de ontem ao programa “Today Show”, da rede NBC, os pilotos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, comandantes do Legacy envolvido na queda do Boeing da Gol ocorrida em 29 de setembro último, reafirmaram que estavam a 37 mil pés de altitude - e não a 36 mil, como previa o plano de vôo original - porque cumpriam instruções passadas pelos controladores de tráfego aéreo.

O Boeing caiu no Mato Grosso depois de bater no ar contra o Legacy. Os 154 ocupantes do Boeing morreram. O Legacy, mesmo avariado, conseguiu pousar e seus sete ocupantes - seis norte-americanos - saíram ilesos.

Lepore e Paladino, por orientação de seus advogados no Brasil, não responderam às perguntas da PF (Polícia Federal), que investiga criminalmente o acidente, no único depoimento que deram. Eles foram ouvidos no mesmo dia em que receberam seus passaportes - que haviam sido apreendidos pela PF por ordem da Justiça - e retornaram aos Estados Unidos.

Naquele mesmo dia, após o depoimento - que durou aproximadamente seis horas - os dois norte-americanos foram indiciados pelo crime de expor ao perigo uma embarcação ou uma aeronave, na modalidade culposa (sem intenção de matar) agravada por morte.

No começo do programa, antes da entrada ao vivo, a TV exibiu uma seqüência de imagens do acidente com uma narração ao fundo na qual um repórter dizia que os passaportes dos pilotos haviam sido “imediatamente apreendidos”.

Em seguida, a TV exibiu uma imagem de Bob Sherry, presidente da empresa em que Lepore e Paladino trabalham, a ExcelAire. “Se houve crime, foi por parte dos controladores de tráfego aéreo brasileiros. Os pilotos americanos são 100% inocentes. Eles foram totalmente profissionais, o tempo todo”, disse. “Ao invés de serem tratados como sobreviventes, e alguns diriam heróis, por terem colocado seu avião e seus passageiros no chão em segurança, vocês foram tratados de maneira bem diferente pelas autoridades brasileiras, não?”, perguntou o repórter Matt Lauer.