09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tribuna do Leitor 17/12/2006


| Tempo de leitura: 22 min

Aos políticos

Eu gostaria de convidar o senhor prefeito, os srs. vereadores e seus secretários, para terem uma aula de capacidade administrativa em algumas das cidades da região, como Agudos, Avaí, Pederneiras, Jaú e Marília.

Essas cidades, comparando com Bauru, mais parecem cidades suíças, e Bauru parece uma cidade iraquiana, isto é... bombardeada. Nossos nobres políticos só sabem impor taxas e mais taxas, e aumento de impostos para o contribuinte pagar.

Enquanto o trabalhador tem que viver com míseros R$ 350,00, para pagar água, luz, aluguel, vestimentas, sem falar do IPTU, do fundo de tratamento de esgoto, etc... No fim de outubro os vereadores participaram de uma sessão extraordinária que durou 29 minutos, e cada vereador recebeu por 29 minutos de trabalho quase R$ 500,00 (quinhentos reais). E as sessões ordinárias? O que fizeram delas? Perderam-se em debates inúteis pra protelar as votações urgentes? Protelaram para poder marcar mais uma sessão extraordinária?

O dia em que aparecer um político que tiver “peito” para acabar com os tais cargos de confiança, e exigir concurso para todo e qualquer cargo, Bauru voltará a ser a “cidade sem limites”.

Os cargos de confiança são “cabides de emprego” para parentes, amigos e cabos eleitorais dos políticos eleitos e, infelizmente, parece que só é eleito presidente da Câmara quem se comprometer a lutar, não pelo povo, mas por mais um assessor para os vereadores.

Severino Dario - RG 1.237.457

O que fazer para mudar?

Acompanhando as escritas neste espaço, muito se diz e se questiona o Brasil, o governo, a Politica e vários outros assuntos que nos remetem a uma única questão: o sistema! Ohhh! Todos querem reclamar, mas o que fazemos pra mudar? Discutir o sistema nem pensar - “Está louco, como ousa questionar o sistema?”. Repartir e distribuir são palavras que existem para poucos, muito poucos. A maioria age em benefício próprio, assim como os nobres deputados, que controlam o sistema. 90.7% buscam o que eles conseguiram: dinheiro. Este é o pecado capitalista. Está preparado? Vamos discutir o sistema?

Bruno Lopes - RG 30.142.075-0

Biblioteca inacessível

A biblioteca da Unesp Bauru, sob a alegação de que usuários estariam burlando o sistema de renovação de livros on-line, suspendeu a renovação dos empréstimos no site da biblioteca. Com a medida, muitos estudantes da universidade que não residem em Bauru estão impedidos, indiretamente, de fazer uso dos livros durante as férias. Caso queira se arriscar a fazer o empréstimo, o estudante será obrigado a retornar ao guichê da unidade no dia 2 de janeiro e renovar os empréstimos semanalmente, somente na biblioteca. A medida é absurda, uma vez que trava o desenvolvimento de pesquisas por parte de alunos e professores que não residem na cidade de Bauru. Não é a primeira medida “polêmica da biblioteca”. Já em junho, a direção colocou em exposição todos os livros relacionados a futebol e quem desejasse emprestá-los, mesmo durante a greve dos funcionários, não poderia fazê-lo.

Na ocasião, fui prejudicado pois necessitava dos livros para realizar referências do trabalho de iniciação científica e agora, novamente, me vejo impedido de desfrutar dos livros da biblioteca. Gostaria de lembrar o óbvio: sem leitura não há referência, sem referência não há pesquisa, sem pesquisa não há retorno prático à sociedade, e sem retorno prático não adianta a Unesp solicitar mais verba do governo estadual, pois é justo que a Unicamp e a USP, universidades que não fazem uso de tais barreiras ao saber acadêmico, sejam melhores contempladas com na divisão do dinheiro público, posto que produzem mais resultados à sociedade.

Daniel Gomes de Araújo - estudante de jornalismo da Unesp-Bauru - residente em São Paulo

Sou hipócrita, aliás, todos nós somos

Absurdo! Foi a palavra que encontrei para demonstrar minha indignação ao saber do aumento salarial que os deputados concederam a si mesmos.

Indigna-me saber que em um país onde crianças e idosos são deixados ao esquecimento, que os membros do Legislativo, sem a menor cerimônia, elevam seus salários a quase o dobro. O pior é que apesar disso ninguém faz nada, nem eu, nem você, nem ninguém...

Realmente (e infelizmente), a cada dia que passa vejo e percebo que a expressão “cada povo tem o governo que merece” foi feita sob medida pra nós, brasileiros, já que depois de todos esses “absurdos” continuamos inertes e levando nossas vidas com nosso famoso “jeitinho brasileiro”, elegendo Clodovis e Paulos Malufs.

Renata Tsukada - RG 34.855.562-3

Deputados - reajuste indecente

Nós, brasileiros, acredito que falo por milhares, que temos uma visão mais ampla do momento sócioeconômico e político que vive o nosso maltratado Brasil, estamos tendo a oportunidade de assistir indignados, impassivos, sem condições de reação, a mais um golpe letal, inconseqüente e imoral aos cofres públicos. Os deputados federais querem ganhar mais de vinte e quatro mil reais de salário por mês, um aumento em torno de noventa por cento, mais as verbas de gabinete, etc.o que dá cerca de cem mil reais por mês. A maioria age de maneira tranqüila e soberana como se fossem os donos do mundo e ficam envaidecidos com suas falcatruas, ignorando totalmente a voz do povo que agonizante pede socorrro.

É certo que conseguirão. Isto vai criar um efeito cascata que se refletirá nos cofres estaduais e municipais que já estão bastante deficitários no balanço receita/despesas. O que ocorre é que a banalização tomou conta de certos setores públicos, que não têm dono, não têm patrão e as pessoas que estão no poder não pensam mais coletivamente e individualizaram suas aspirações materialistas, buscando o enriquecimento além do necessário, esquecendo-se dos compromissos constitucionais, como reza a Carta Magna e também que o Brasil é um país de ricos, pobres e miseráveis, e estes últimos estão clamando por justiça social. Enquanto catam migalhas no lixo para poderem sobreviver, lá em cima come-se caviar e bebe-se champanhe importada pouco se importando se o que fazem é imoral ou ilícito, porque o povo para eles é nada. Não há como frear essa frenética escalada rumo à indecência ao abuso e o ataque aos cofres públicos pois as leis são feitas por eles e para eles, que assim ficam protegidos e dão legalidade ao que é ilegal, moralidade ao que é imoral e sustentabilidade ao que é insustentável e ainda na contra-mão, querem explicar o inexplicável.

As leis deveriam ser feitas pelo Judiciário em conjunto com a OAB, que estão plenamente capacitados a realizar uma obra de respeito e objetividade, sem delongas e sem variáveis. Quanto à individualização, a mesma não poderia acontecer justamente no momento em que o Brasil vive tentando retomar o crescimento econômico. Essa verdadeira orgia de queima do dinheiro público em coisas escusas contrasta com um país deficitário em educação, saúde, segurança, moradia, etc, pois não é correto dar tudo a quem já tem muito e negar pouco aos que nada têm. O desequilíbrio é tão contundente que chega a revoltar. Devia doer na consciência do abastado quando ele olhar seu patrimônio e depois ver uma criança pedindo esmola em um semáforo. Os altos salários nas várias esferas dos governos também são vergonhosos, as aposentadorias desproporcionais à situação econômica do país, o congresso nacional gastando o que bem entende, geram despesas exorbitantes e benefícios generosos, proporcionando um padrão de vida ótimo a quem os recebe, porém, mutilando as esperanças das camadas abaixo da linha da pobreza, de serem beneficiadas com qualquer projeto que seja. Queiram ou não, é preciso mudar, cortar da própria carne, pois só assim teremos justiça social, desenvolvimento, empregos e moralidade.

Luiz Carlos Juncal - um leitor indignado com a classe política, como milhões de brasileiros

Ao senhor Munir Zalaf, presidente da Academia Bauruense de Letras

Autor que fui da carta Cântico dos Cânticos (publicada na Tribuna do Leitor no último dia 8), mencionei “en passant” essa casa tentando imaginar quais seriam as causas de uma sua acadêmica - que como tal claramente identificou-se - ter feito crítica tão acre ao poema amoroso de mesmo nome. Fugindo do aspecto religioso em si, não sendo psicólogo ou assemelhado, ignorando Freud e seguidores, bem como o histórico da autora dessa crítica para mim inaceitável, limitei-me aos motivos imediatos que ela teria para investir sobre tão linda ode ao amor, ao casamento, a devoção integral e mútua entre os casais.

Ou será que casamento é apenas “benhê pra cá, benhê pra lá, vem cá mãezinha, oi paizinho!” sem passar pela necessária e obrigatória paixão estritamente física? Ora, como certamente bebida sem açúcar – aos não diabéticos - ou uma cadeira quebrada podem amargar o espírito, claro que foi pertinente minha dúvida!

Nunca jamais a instituição ABruL foi objeto de crítica, até por inadmissível imaginar-se ela composta somente de censores. Vade retro tal idéia! Mas que assusta imaginar um amanhã em que, por exemplo, até o Rubayat de Omar Khayan (trechos) possa ser chamado de pornográfico por intelectuais de plantão, isso assusta... “Há muito tempo, esta ânfora foi um amante, como eu: sofria com a indiferença de uma mulher; a asa curva no gargalo é o braço que enlaçava os ombros lisos da bem amada.

Que pobre o coração que não sabe amar e não conhece o delírio da paixão. Se não amas, que sol pode te aquecer, ou que lua te consolar? Não vamos falar agora, dá-me vinho. Nesta noite a tua boca é a mais linda rosa, e me basta. Dá-me vinho, e que seja vermelho como os teus lábios; o meu remorso será leve como os teus cabelos”. Saudações do também acadêmico do Largo de São Francisco, São Paulo.

Fernando Marchini Dias da Silva - Santo André-SP

Brasil, um país de todos? não. o país do absurdo

Onde já se viu, 29 parlamentares se reunirem e aumentarem o próprio salário em 91%, isso é uma vergonha (como diria Boris Casoy), não dá para engolir esse tipo de atitude daqueles que deveriam agir para o bem da população, votar no interesse do coletivo e não em causa própria. Quinta-feira à noite, pela primeira vez na minha vida senti vergonha de ser brasileira, se pudesse iria embora desse país, fiquei enojada de ver a que ponto chega a cara de pau das pessoas dizer que esse aumento é a reposição salarial. Espera aí, que reposição é essa, os bancários tiveram que fazer greve para ter enfim 3% de aumento, a maioria dos trabalhadores terá no máximo 5%, tudo nesse país sobe 10%, 20% e sempre é dito que a inflação do país é baixa, para nós trabalhadores termos que nos contentar com o reajuste salarial baseado na inflação. Por que os parlamentares são especiais e merecem esse aumento absurdo?? Acho que está na hora de nós cidadãos brasileiros nos unirmos e não ficarmos calados e parados, precisamos sair às ruas e fazer o nosso protesto, peço aqui aos orgãos competentes (OAB, ACIB, imprensa de Bauru, Associações, etc) que se reunam, chamem a população para um grande ato de repúdio a essa situação, precisamos nos unir para que esse tipo de coisa não aconteça.

Precisamos mudar essa nossa legislação ultrapassada que permite esses absurdos, nós trabalhadores dependemos de outras pessoas para definirem o nosso aumento salarial, por que os parlamentares podem definir o seu? Vamos lutar para acabar com esse monte de ajuda de custo que eles têm, que no fim das contas cada parlamentar custa para nós R$ 100.000,00 (cem mil reais) por mês. Não a esse aumento! Outra coisa que queria dizer é que fiquei muito preocupada com a fala do vereador eleito ontem presidente da câmara de Bauru, Paulo Madureira, que disse: “se for preciso vai autorizar a contratação do terceiro assessor para atender melhor a população”... Espera aí, nos últimos dois anos todos tiveram dois assessores e até onde eu sei tudo funcionou muito bem, não venha dizer que é para o bem da população, pois para mim isso nada mais é do que cabide de emprego, pense bem, faça como o Garmes, que devolveu para os cofres públicos quase dois milhões de reais, sendo que uma parte desse dinheiro foi para o conserto da ponte do Mary Dota, onde uma grande parte da população pode se beneficiar, isso sim é para o bem da população. A população bauruense não vai tolerar esse tipo de atitude, estamos de olho.

Lucimeire Mussi Hunzecher Nascimento - RG 22.417.543-9

Ser fisioterapeuta!

Procuro encontrar na minha bagagem profissional acumulada nestes 27 anos de trabalho e reviver o entusiasmo com que recém-formada fui trabalhar no Hospital de Base e logo convidada a me credenciar à Unimed – Bauru, pois a cooperativa queria oferecer a seus usuários este novo recurso que vinha se aliar a medicina na recuperação de doentes. Com muito ideal não poupei esforços para dar aos meus pacientes dedicação, responsabilidade e amor, o que me incentivou a freqüentar congressos e cursos de especializações profissional. Hoje, amadurecida e com condições e bagagem profissional suficientes para enfrentar está nova situação, procuro com respeito e tristeza aceitar os interesses que levaram a Unimed a me descredenciar.

Para o fisioterapeuta nada pode empanar o brilho, ou diminuir o valor do seu trabalho. Minha Clínica estará sempre aberta àqueles que procurarem nosso atendimento. Após alguns anos de profissão, recebi um texto de um paciente, no Dia do Fisioterapeuta (13 de outubro), que dizia: Fisioterapia, Doutor: é o amor! Que responsabilidade brutal tem estes profissionais. Terão de forçar músculos, tendões, articulações doloridas e atrofiadas, para que, em gotas, os resultados venham a aparecer. E são verdadeiros artistas, pois literalmente “judiam” de seus pacientes e estes os amam de paixão, e lhes devolvem as mais carinhosas demonstrações de agradecimento, num feedback emocionante. E é trabalho braçal mesmo: a lombalgia insiste em querer transferir sua “algia” na própria lombar do fisioterapeuta, que vive em posições cansativas e estressantes.

O fisioterapeuta convive com seqüelas e limitações diárias, que como água batendo na pedra termina por abrir um furo dolorido em suas almas. Mas não é o que acontece, felizmente. Esta somatização não pode ser realidade na vida do profissional, e aqueles que deixam seus corpos e mentes se abaterem, não conseguirão seguir adiante nesta lida. Por isso, dr. fisioterapeuta, sei que estas palavras não içarão nossos salários. Mas espero sempre que o seu valor perante nossas autoridades e a sociedade em geral seja evidenciado, peço que não esmoreçam, estudem, alavanquem seus conhecimentos com dedicação e avancem porque somos o que fazemos. E nós definitivamente fazemos! Aos meus pacientes que até hoje e por muitos anos que virão confiaram e acreditaram em meu trabalho, meu agradecimento e desejo de um Natal cheio de Luz e um Ano Novo repleto de esperança!

Nidia Guimarães Kerr Nogueira

Aeroporto x elefante branco

Estamos no ano de 2006, logo estaremos no ano de 2007 e uma obra que foi conseguida com muita luta pelo ex-deputado Roberto Purini talvez esteja fadada a virar mais um elefante branco. Estou falando do Aeroporto Internacional de Bauru, que vendo assim tem um nome esplendoroso, que foi esperado pelos bauruenses por anos e anos e que agora estamos vendo a inércia dos comandantes desta cidade em fazer algo realmente válido para que esta conquista venha a funcionar corretamente. Quando digo algo realmente válido é por que que tenho motivos para tal. Cito alguns motivos de reclamação por parte da Empresa Aérea Pantanal, o transporte de passageiros até o aeroporto e a lanchonete.

A prefeitura, por sua vez, diz que realizou sua parte através da Emdurb, que disponibiliza ônibus até o aeroporto através da empresa Rodoviário Ibitinguense, esse ônibus é o que faz a linha suburbana Bauru-Arealva, que ao longo de seu percurso faz várias paradas até chegar ao aeroporto. Até aí tudo bem, só que o veículo é apertado, digo isso pois já senti na pele como é viajar nele. Tenho 1,90m de altura e não pude me sentar devido ao espaço entre as poltronas ser pequeno, ou será que eu tenho a altura errada? Pelo jeito acho que cresci demais.

Bauru é servido por seis vôos diários da empresa Pantanal e dois da Air Minas, com chegadas em vários horários durante o dia, mas esse ônibus tem apenas quatro horários com destino ao aeroporto: 6h30, 11h, na parte da manhã para ida; 11h25, 18h25, na parte da tarde para volta, mas se o passageiro tiver vôo às 10h, como acontece no atual aeroclube, ele que se vire para chegar até o aeroporto, pois não terá transporte coletivo no horário, ou então pegar o primeiro ônibus das 6h30 e ficar no aeroporto das 7h até o horário de seu vôo; para voltar, o passageiro que desembarcar por volta das 15h30 e não quiser desembolsar pagando táxi terá que esperar até às 18h25 e contar com a sorte para sobrar um lugarzinho para ele no coletivo, sendo que o coletivo já vem de Arealva cheio com muitos passageiros em pé, situação também da qual já passei.

Sei também que a empresa vai colocar ônibus com ar-condicionado de 32 lugares, mas pergunto: esse tal ônibus seria o que vai para Ribeirão Preto? Com passagem mais cara só por causa de um pouco mais de conforto? Agora pergunto às autoridades: será que ninguém nesta cidade pensou em criar um transporte executivo para passageiros com destino exclusivo ao aeroporto, feito em vans ou microônibus, feito por outra empresa através de processo de licitação ou pela própria Ibitinguense, com chegada e saída de Bauru e do aeroporto em horários próximos dos vôos? Outra questão: o novo aeroporto não conta com serviço de lanchonete. Pois bem, Bauru tem grandes redes de lanchonetes as qual não preciso nem citar, e além de outras da cidade mesmo. Por que a prefeitura não oferece isenção de impostos para empresas se instalarem lá? Será que isso não ajudaria para o funcionamento do aeroporto?

Enquanto isso, vemos cidades como Araraquara, que em fevereiro deste ano brigou com Franca para receber os vôos de Ribeirão Preto, pois o aeroporto seria reformado e o prefeito, após saber que a cidade receberia os vôos, revitalizou ruas, avenidas, ofereceu isenção de impostos para empresas se instalarem no município, mesmo que temporariamente, pois isso geraria receitas para a cidade e contribuiria para o bem da cidade. E Bauru, o que tem feito nesse sentido? É, bauruenses, parece que até vermos algumas coisas acontecerem nesta cidade vai demorar, quem sabe algo venha a acontecer em 2007, 2008, 2009... Enfim, temos que torcer para que o nosso aeroporto não vire mais um elefante branco.

Jázio Alberto de Oliveira

Tartaruga II, o retorno

Me consiro traído por ter ajudado com meu precioso voto a eleger o Tuga. Em minha opinião e esse direito ninguém me tira, o pré-requisito para ser prefeito de Bauru é ter sangue de tartaruga, porque após dois anos de mandato a nossa esvairida cidade continua sendo castigada pelos mesmos desacertos dos infelizes antecessores.

Não sou filiado a partido nenhum. Admirava o professor Tuga. Adoro e amo Bauru de paixão, mas estou cheio de ver tantos buracos, ruas mal iluminadas, secretaria de administrações regionais que não funcionam, falta de equipamentos para conservação e pavimentação, vereadores discutindo coisas e muito pouco de efetivo sendo feito.

A arrecadação do município tem que aumentar às custas de mais impostos. Aumento de empresas e fomentação ao desenvolvimento desde os tempos do Osvaldo Sbeghen não se vê. Outro dia ouvi o absurdo de pessoas que deveriam buscar incentivos a instalação de empresas: “Mesmo que quisessemos, Bauru não possui área para instalação de grandes empresas”. Absurdo!

Os últimos empreendimentos que conquistamos são indústria de multas, radares fotográficos, templos evangélicos, supermercados, cemitérios verticais, poupatempo, faculdades, o grupo Savoy, tanto divulgado pelo ex-tartaruga e nunca concretizado.

Cidades conhecidas estão progredindo, desenvolvimento acontecendo, aumentando a auto-estima dos munícipes, como podemos citar: Pederneiras, Agudos, Jaú, Marilia, Boracéia, Lins, entre muitas, enquanto Bauru continua patinando, e, além disso, perdendo empresas importantes. Vai virando uma bola de neve, diminuindo arrecadação aumentam os problemas, empresas não se instalam, ou pior, se vão, diminui mais a arrecadação e assim até chegar ao ponto de ver um apaixonado por Bauru perder a auto-estima e ficar esperando uma exceção para realmente governar Bauru, talvez importando de Agudos o arrojado Carlos Octaviani.

Nascí e me formei em Bauru, tenho 39 anos, e destes anos morei somente 3 meses fora daqui.

Moro no Jd. Solange e pago meus muitos impostos em dia, fico indignado em ter que implorar para que uma máquina seja disponibilizada para tampar os buracos em frente minha casa. Já tive até que dar presente para funcionários das regionais para fazerem o favor de me atender na solicitação, oque deveria ser obrigação.

Senhor prefeito, após o desabafo, gostaria de saber se existe um cronograma de asfaltamento que apareça o Jd. Solange. A notícia que foi vinculada sobre asfaltamento para o próximo ano pouco me anima, por ser muito aquém da necessidade. Reconheço o bom trabalho que foi realizado na av. Nossa Senhora de Fátima, mas é muito pouco. A av. Comendador José da Silva Martha implora pela duplicação.

Finalmento sugiro, em homenagem em vida, que a rua Alaska seja renomeada para rua Prefeito Nilson Costa ou Professor José Gualberto Martins Angerami.

Roberval Húngaro Tamarozzi - RG 17.448.914

O lixo

Naquele não tão distante dia, o urubu dizia ao sapo que não iria à “Festa no Céu”, ficaria por terra mesmo, preferia o inferno ao céu, iria a uma terra sem limites, marcada por restos, carniças, detritos, bactérias, deixados às moscas, lixos embalados e vasculhados de qualquer espécie revirados e mexidos por pessoas de espécies diversas!

A empregada ,que preferia ser chamada de secretária do lar, havia colocado com todo cuidado o lixo à rua, estavam lá naquele saco preto, sem caixa preta ou tarja preta, os hábitos, os vícios, as gulas, os desejos, os arrotos, os bons e maus modos da família que, segundo ela, há treze azarados anos a escraviza. Amarrou com nós cegos e mais cegos a boca do lixo e colocou-o cuidadosamente dentro do local propício, um “berço”, feito caprichosamente pelo melhor serralheiro da cidade, bateu o portão e começou a rezar para que ninguém, ninguém mesmo abrisse a bolsa fétida e escrota, que ser algum desvendasse os segredos da família! Mal fechou a muralha e ouviu passos, alguém que não queria e não podia ser identificado aproximava-se do fedor da embalagem obscura e surpreendentemente abria o recipiente escroto e sem luvas, com as próprias mãos, distinguia o necessário do supérfluo, o salgado que já foi “impossível de comer um só!”, estava só, como ele, e impossível de comer! O pão estava embolorado, não tinha fôrma, forma e nem conteúdo! O suco da lata fê-lo lembrar sua vida: “O homem que virou suco”, um envelope de sal de frutas, um preservativo, antes tivessem-no usado na sua criação e ele não seria, pois o que adianta ser sem sê-lo? Umas fraldas descartáveis, como ele, sem marca, só um horrível cheiro! A embalagem da pizza trazia à tona cheiro de domingo, “Trapalhões”, “Fantástico”, fim de semana sem fim!

Surpreendido pela empregada, que o xingou e disse-lhe que havia separado tudo do nada, ou seja, os lixos que já foram luxo, estavam à disposição, os outros estavam à espera do caminhão dos homens de boa vontade, pois deles é o reino do luxo que virou lixo, cantaralou até Rita Lee: “Não quero luxo, nem lixo, meu sonho é ser imortal, meu amor, não quero luxo, nem lixo, quero gozar no final...”, o ser sem ser achou gozado e quis saber se ela gozava dele, ela disse que não, os homens do lixo é que gozavam deles, sabe-se que eles vêm, mas não se sabe a hora, não se sabe o período, só se sabe que o cheiro do lixo impregnar-se-á pelas ruas, vias, casas, vilas, bairros, pela cidade toda e que o prefeito não tem culpa, porque ele queria terceirizar o lixo, mas, sem querer, priorizou o lixo, que agora é lembrado nasalmente por toda parte, em segundo plano estão os coletores, que ganham mal, mas podem achar no lixo, uma fortuna, um bilhete premiado, uma roupa, um feto, um ser que não aspirará a fedentina que tomou conta da cidade sem limites e que os coletores terão no urubu, que não foi à “Festa no céu” um aliado contra o lixo, quanto ao povo? Foi terceirizado há tempos, o povo deve viver em bocas-de-lobo, em bocas-do-lixo, sem direito a bocas-livres, tudo culpa das bocas-de-urna!

Sinuhe Daniel Preto - professor - RG 10.981.715-1

Ao mais novo padre diocesano...

Benevolência. Segundo o dicionário Aurélio, benevolência significa: 1) Qualidade do que é benévolo; boa vontade para com alguém. 2) Complacência, indulgência. Antôn: malevolência.

O “bom e velho amigo” dos que buscam explicações para certas palavras das quais tem dúvidas resume benevolência como uma qualidade humana de uma forma teórica, porém, aqueles que tiveram o privilégio de conhecer o mais novo Padre Diocesano Giuliano Alamino, por mais rápido que seja, não precisam consultar o significado da palavra benevolência em qualquer que seja o dicionário, pois Padre Giuliano é a própria teoria em pessoa de uma pessoa benevolente. E não só benevolente, mas também uma pessoa meiga, sincera, lutadora e amiga!

No último dia 15 de dezembro de 2006, o céu se viu voltado a um jovem que assumiu o compromisso de viver pelo resto de sua vida uma vida dedicada a Deus e aos cristãos quando disse “sim” a um dom do qual poucos tem o privilégio e competência de ter, que é o sacerdócio. Independentemente de qualquer que seja a religião, dizer sim a Deus é muito fácil a qualquer que seja a pessoa por mais simples que seja, porém, é muito difícil “vestir a camisa” e realmente seguir a risca essa a função de responsabilidade, pois conduzir seu próprio rebanho de fiéis pela fé é função de pessoas realmente competentes, fiéis e dedicadas a vida religiosa.

Faço questão de escrever este artigo, pois vejo no Pe. Giuliano um potencial muito grande em ajudar as pessoas dando ouvidos aos seus problemas, orientando-as, bem como administrando os sacramentos da Santa Mãe Igreja Católica Apostólica Romana com sua fé e qualidades inúmeras demonstradas em seus gestos e atitudes!

Parabéns ao novo Padre Diocesano de Bauru por esta conquista e privilégio de ser escolhido para administrar e espalhar a Boa Nova de Jesus às pessoas que necessitam de um incentivo espiritual. Com a chegada de Pe. Giuliano para ajudar nas missões de Deus, Bauru e região se sente muito honrada em acolher uma pessoa tão capaz e íntegra para ajudar ao próximo! Parabéns ao Pe. Giuliano e seja bem-vindo ao sacerdócio! Afetuosamente.

Vinicius Trombini Martins