08 de julho de 2026
Mulher

Clube da luluzinha

Cristiane Goto com Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Elas conversam, trocam confidências, dividem alegrias e problemas, se divertem, fazem compras, vão à academia, ao salão de beleza... E fazem tudo isto quase sempre juntas, se reunindo em animados grupos. São os clubes das luluzinhas, composto por mulheres e, claro, sem a presença masculina.

Para se tornarem sócias, não existem restrições, o que vale é a amizade, aponta a contabilista Maria Therezinha Rubio Roque, 60 anos. Ela pertence a um grupo de aproximadamente dez amigas que costuma se reunir freqüentemente. “No inverno, nós gostamos de fazer um chá da tarde, com cafés, chocolate quente, bolos, etc. Cada uma leva um prato de doce ou salgado e passamos horas conversando”, diz.

Quando não são realizados nas casas das amigas, em esquema de rodízio, elas escolhem uma pizzaria, um restaurante ou barzinho. No verão, o clube da luluzinha prefere comer pizza ou sair para dançar. “Às vezes nos reunimos para tomar um choppinho com aperitivo. É bem gostoso”, conta Maria Therezinha. O importante é estarem juntas, reforça. Segundo a contabilista, o grupo é uma forma de manutenção dos laços de amizade. “Somos amigas há cinco ou seis anos. Tenho algumas que conheço há uma década”, diz.

Além disto, as sócias do clube de Maria Therezinha têm gostos e perfis parecidos. “Somos todas mais ou menos da mesma idade. Algumas são viúvas ou separadas. Conversamos sobre tudo: netos, família, viagens, cabelo, moda, novela, atualidade e política”, diz ela, ressaltando que, sempre que podem, comemoram aniversários e fazem amigo secreto nas festas de final de ano. As viagens são um capítulo à parte, destaca a contabilista. Ela conta com entusiasmo que as amigas adoram viajar juntas. “Já estamos programando um passeio para 2007”, adianta.

Para sua amiga Terezinha Matielo Piva, professora aposentada, 67 anos, pertencer a um grupo de mulheres só traz benefícios. “Nos reunimos e passamos horas agradáveis, tomamos sorvete, vamos ao teatro. É gostoso porque nos distraímos e preenchemos nossa vida de uma forma muito boa”, diz. Ela considera muito importante conservar a amizade, especialmente entre mulheres. “Nós temos os mesmos interesses e nos identificamos. Uma apóia a outra”, observa.

As irmãs Deise Bertolini Bastos, 62 anos, e Alzira Bertolini, 65 anos, também são sócias do clube de Terezinha e Maria Therezinha. Deise explica que o grupo é unido porque a amizade entre todas é verdadeira. “Não há intrigas nem fofocas”, afirma. “Temos muita liberdade umas com as outras, inclusive para brincar e dar risada. Além disto, é mais fácil se abrir com mulheres do que com homens, eles são mais maliciosos”, comenta. Sua irmã concorda. “Quando nos reunimos ou saímos juntas, nos desligamos um pouco dos probleminhas da casa, da família. É um momento nosso, onde podemos falar coisas mais pessoais. E também nos divertimos muito.”

A cabeleireira Maria Tokumitsu, 51 anos, também aposta na amizade entre mulheres. Ela, que é dona de um salão de beleza, promove todos os anos alguns eventos exclusivos para o público feminino. “É um clube da luluzinha”, define. No início do mês, organizou uma festa de final de ano e contou com a participação de aproximadamente 30 mulheres, entre amigas e clientes do seu salão de beleza. “Este é o quinto ano que faço este tipo de encontro. Além de comes e bebes, todas se divertiram com amigo secreto e um bingo”. diz.

Para a psicóloga e terapeuta familiar Anne Denise Gottlob Del Nery, os clubes das luluzinhas são importantes e fortalecem laços de amizade. “Todo ser humano tem a necessidade de ‘pertencimento’ e precisam se relacionar com outros”, aponta. Ao se reunirem, aponta ela, as mulheres se sentem mais seguras e criam vínculos de união e alegria, que são muito importantes para combater o excesso de individualismo.

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Teens

Os clubes das luluzinhas fazem sucesso em todas as faixas etárias. Entre as adolescentes, eles se tornaram muito comuns. É o caso das amigas Carolina Lopes, 13 anos, Vanessa Sforsin, 12 anos, e Vanessa Franzolin, 12 anos, que moram em Botucatu. Inseparáveis, elas contam que adoram se divertir juntas. No dia da entrevista, por exemplo, no último dia 8, elas foram ao Bauru Shopping Center para comemorar o aniversário de Carolina.

Depois do cinema e de conferirem as vitrines, pararam para tomar lanche. Assunto é o que não faltou. “Somos muito amigas. Falamos sobre tudo e contamos segredos. Às vezes vamos na casa uma das outras só para conversar”, diz Vanessa Franzolin. “Somos parecidas e acho que é por isso que nos damos bem”, comenta Vanessa Sforsin”. Carolina concorda. “Conheço meninas que têm amizade com meninos, mas eu prefiro as amigas. Os garotos são engraçados, mas não têm tanta paciência para bater-papo”, diz.

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Garotinha simpática

A personagem Luluzinha “nasceu” no dia 23 de fevereiro de 1935, em uma charge publicada na revista The Saturday Evening Post. Os cabelos encaracolados e vestidinho vermelho caracterizaram a garotinha simpática, que encantou o público.

Durante a década de 40, a personagem teve suas charges republicadas na forma de livros e foi tema de capas de cadernos, jogos, brinquedos, cartões de aniversário, livros de colorir, roupas e muitos outros produtos. Em 1943, ela e sua turminha estrelaram uma série de 26 curtas animados para o cinema, mas foi nas revistas em quadrinhos que Luluzinha ganhou fama.

Em 1995, Luluzinha estrelou uma segunda série de desenhos animados produzida para a TV a cabo americana e exibida originalmente pela HBO. Também foi criada uma versão dos quadrinhos para o formato de tiras.