Bagdá - Um grupo de homens armados seqüestrou ontem ao menos 30 pessoas em um edifício do Crescente Vermelho iraquiano em Wahda, no leste de Bagdá, informaram testemunhas e fontes do Ministério do Interior.
“Recebemos informações sobre um seqüestro coletivo na zona de Karrada (centro da cidade) e enviamos unidades ao local’’, disse o general Abdel Karim Khalaf, porta-voz do ministério do Interior, sem dar mais detalhes.
Os seqüestradores, que vestiam uniforme militar e usavam veículos similares aos da polícia iraquiana, cercaram o edifício pouco antes do meio-dia. Após separar os homens das mulheres, os seqüestradores vendaram os olhos dos homens e ataram suas mãos antes de obrigá-los a entrar nos veículos.
Segundo as fontes, a roupa usada pelos seqüestradores era semelhante à utilizada pela força de elite do Ministério do Interior. O seqüestro em massa se transformou, nos últimos meses, em algo freqüente no Iraque e várias autoridades o vinculam às ações de violência sectária no país.
Dezenas de funcionários do Ministério da Educação foram seqüestrados em circunstâncias similares em outubro passado em Bagdá. Na quinta-feira, cerca de 50 pessoas, a maioria comerciantes, foram capturadas em um mercado automotivo no Centro da Capital.
A polícia iraquiana informa quase diariamente sobre a localização de pessoas com marcas de tiros e sinais de tortura, muitas das quais tinham sido seqüestradas em suas casas ou no local de trabalho.
Ainda ontem a polícia anunciou ter achado nas últimas 24 horas os cadáveres de 53 pessoas com marcas de tiros e sinais de tortura em diferentes bairros da Capital. A violência sectária se desencadeou depois de um atentado, em fevereiro, contra um mausoléu venerado pela majoritária comunidade xiita iraquiana, na cidade de Samarra, ao norte de Bagdá.