Gaza - A insistência do presidente Mahmoud Abbas em convocar eleições antecipadas para romper o impasse político ameaça a frágil trégua decretada para conter a violência nos territórios palestinos. Ontem, enquanto Abbas reiterava o plano anunciado no sábado, continuaram os atritos entre seu grupo, o Fatah, e o rival Hamas, que controla o governo e considera a convocação de eleições o equivalente a um golpe.
Embora a violência tenha diminuído após o anúncio da trégua, anteontem à noite, ontem voltaram a ocorrer incidentes. Um membro do Fatah foi morto em um dos vários tiroteios ocorridos na Faixa de Gaza.
Acompanhado do primeiro-ministro britânico, Tony Blair - em viagem pela região que começou pelo Iraque -, Abbas também fez um gesto em direção a Israel, dizendo-se disposto a encontrar-se com o premiê Ehud Olmert para reavivar o estagnado processo de paz.
Abbas afirmou que a onda de violência nos territórios palestinos, que vivem a pior crise política interna de sua história e parecem estar à beira de uma guerra civil, não o impedirá de levar adiante o plano de antecipar as eleições presidenciais e legislativas. “Queremos examinar a vontade do povo . Ele ainda confia naqueles que elegeu?”, indagou o presidente, eleito em 2005, um ano antes da surpreendente vitória que colocou o Hamas no poder.
Uma pesquisa de opinião divulgada anteontem indicou empate técnico entre Abbas e o político mais popular do Hamas, o premiê Ismail Haniyeh, numa hipotética disputa presidencial. De acordo com a mesma pesquisa, 61% dos palestinos apóiam a antecipação das eleições.