Acreditando na força da mobilização popular como o principal antídoto para reverter o efeito do presente que deputados e senadores deram para si próprios às vésperas do Natal, com elevação dos salários em 91% (R$ 24,5 mil no total), o Sindicato dos Bancários realizou durante todo o dia de ontem mobilização pública.
Além de protestar contra o reajuste que pode quase dobrar os vencimentos dos parlamentares federais, os bancários reforçam que medidas do gênero somente podem ser barradas com a presença do povo nas ruas e com reações em massa, através de cartas e e-mails para o Congresso Nacional, além do Supremo Tribunal Federal (STF), que ontem concedeu liminar contra a forma adotada para a elevação dos subsídios em ação judicial que ainda depende de julgamento de mérito (leia na página 20 desta edição).
“É uma afronta a todos os trabalhadores brasileiros. Enquanto acenam com salário mínimo indecente e valores ridículos para aposentadorias a quem dedicou a vida toda ao trabalho, vem o Congresso e legisla em causa própria com reajuste de salário de 91%, uma traição aos trabalhadores e a sociedade, que precisa reagir por todos os meios”, comenta um dos diretores do Sindicato dos Bancários, Marcos Tadeu Lenharo.
Em sua avaliação, o reajuste foi a maneira “encontrada pelos parlamentares para repor vergonhosamente pela via interna o mensalão, em um Congresso que se transformou em balcão de negócios por um governo que é fraco e que mostrou não ter compromisso com os trabalhadores e traiu os trabalhadores”, diz Lenharo.
Na sua opinião, a medida só terá freios dentro do Congresso se a sociedade protestar em massa. “É preciso que a população perceba que muitos sindicatos estão ligados ao PT e infelizmente por isso muitos se calaram ou não reagiram a esse escândalo nacional. Só com mobilização forte o Congresso vai se sentir ameaçado para rever isso, com o peso da incoerência sobre o presidente da Câmara Aldo Rebelo (PC do B), que apoiou essa medida até o fim”, critica.
Sobre a postura de Aldo no episódio, o JC recebeu cartas condenando sua participação. Em uma delas, Antonio Pedroso Júnior defende abaixo-assinado municipal para revogar o título de Cidadão Bauruense recém-entregue ao deputado federal, medida que também é defendida por outros leitores, como Antonio Eduardo Lopes, para quem “o deputado deve devolver o título pois não merece ser bauruense e muito menos brasileiro com esta postura”.
O pastor evangélico Edson Valentim também se posiciona indignado com o reajuste conferido aos parlamentares, cuja posição no conselho não foi levantada em virtude do recesso de final de ano.
“Individualmente, eu acompanhei essa questão e de fato é chocante, não apenas pelo valor e o índice em si aplicados, mas pela maneira como as coisas são feitas. O parlamentar, assim como o juiz e demais autoridades, devem ter sim salário digno, mas compatível com o mínimo do bom senso e legislar em causa própria, como ocorreu, com um reajuste absurdo, é romper com princípios fundamentais e impor mais sacrifícios ainda aos que pagam impostos, pois é deles que saem os pagamentos dos salários”, comenta.