Para prevenir os roubos de valores, comuns nesta época do ano por conta da existência de mais dinheiro em circulação, o 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I) orientou empresários de Bauru em palestra ontem pela manhã. Eles receberam dicas de como avaliar se uma pessoa é suspeita ou não. Os participantes da reunião passaram por uma espécie de ‘pegadinha’ durante a palestra justamente para observar detalhes, fator importante para coibir a ação dos ladrões.
Um homem com capacete, vestindo camiseta branca, entrou na sala durante a reunião, chamando a atenção dos empresários. Mas minutos depois do fim da palestra, os policiais perguntaram aos participantes algumas características do rapaz. Ninguém se lembrou.
O comandante da 1.ª Companhia da PM, capitão Jorge Duarte Miguel, explicou que mesmo em uma situação de crise, em que o comerciante esteja, por exemplo, sendo vítima de um roubo, é necessário prestar a atenção no ladrão. “Os detalhes podem ser muito importantes. O barulho do motor do veículo, a cor da camisa, dos olhos e o timbre da voz do assaltante podem ajudar a polícia a descobrir sua identidade”, explica.
“No teste que fizemos, ficou claro que os participantes da palestra não estavam atentos o suficiente”, avalia. Os empresários precisam prestar atenção principalmente nos indivíduos que entram em seus estabelecimentos e ficam olhando muito tempo para as paredes, procurando câmeras de monitoramento.
Sãos suspeitos também aqueles que entram no estabelecimento usando capacete, sem mostrar o rosto. “Em uma lotérica, por exemplo, se o cliente passa um período grande dentro do estabelecimento e fica olhando para a parede, prestando atenção na movimentação e não faz nenhuma aposta, já podemos dizer que está em atitude suspeita”, exemplifica o capitão.
Nesse caso, ele orienta o comerciante a conversar com o suspeito e perguntar o que ele está fazendo ali. “Essa atitude pode ser considerada até constrangedora para o cliente mas, em alguns casos, é necessária”, argumenta.
Em alguns casos, o melhor é ligar para a polícia, para o telefone 190. “Um exemplo é se uma moto ou carro suspeito ficar estacionado por muito tempo em frente à loja ou do outro lado da rua, observando a movimentação”, diz Miguel.
Neste mês já foram registrados dez assaltos de valores. Em um deles, na sexta-feira passada, foi levado um malote com R$ 31 mil. O último ocorreu ontem, quando dois rapazes roubaram R$ 5 mil de um entregador de bebidas no Parque Jaraguá.