São Paulo - Exames realizados ontem na menina de três anos que está em coma profundo depois de passar por uma tratamento dentário em São Bernardo do Campo (ABC) indicam que ela teve morte cerebral, segundo o Hospital Municipal Universitário (HMU) da cidade. Novos exames serão realizados hoje para confirmar o diagnóstico dos médicos.
A dentista responsável pelo tratamento disse anteontem que não cometeu nenhum erro no tratamento da criança. Ela acusou a equipe do PS Central de São Bernardo do Campo de negligência no atendimento à menina. A unidade nega. Na noite de sexta-feira, Milena Cristina da Silva Santos, 3 anos, teve convulsões após a extração de um dente na clínica odontológica Sorridents de São Bernardo do Campo. Ela foi levada ao Pronto Socorro Central da cidade e entrou em coma profundo.
Segundo a direção da unidade de saúde, Milena chegou ao local com uma parada cardiorrespiratória. Já a dentista responsável pelo tratamento, Daniela Moutinho, 29 anos, afirmou ontem que a parada ocorreu no elevador do PS, no momento em que Milena era transferida da sala de emergência para a UTI pediátrica do HMU - que fica no mesmo complexo do PS. A família de Milena acusa a dentista de ter adotado procedimentos incorretos no tratamento e salvamento da criança.
O chefe da pediatria do HMU, Kléber Kobol, informou anteontem que “exames neurológicos realizados à tarde sugerem que a paciente Milena tem quadro de morte cerebral”. Ela ressaltou que ontem foram realizadas novas avaliações para confirmar o quadro de saúde da criança. A respiração dela está sendo feita com o auxílio de aparelhos, e sua freqüência cardíaca é mantida com o uso de remédios, afirma o hospital.
Dentista
Ontem a dentista Daniela Moutinho afirmou que não aplicou quatro ampolas de anestésicos durante o atendimento de Milena, como relatado anteontem pelos pais da menina. A dentista disse que usou apenas uma ampola e meia do produto Lidostesim, cujo uso está suspenso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde novembro. Daniela disse que a quantia foi adequada para a menina e que não havia sido informada sobre a suspensão do Lidostesim.
A dentista afirmou que não utilizou no procedimento óxido nitroso (anestésico), como haviam relatado os pais da criança. A utilização do produto requer cuidados especiais. Daniela afirmou, porém, que realizou cursos que a habilitaram a usá-lo. A dentista confirmou que Milena passou a ter convulsões após a extração do dente, no momento em que ela dava pontos no local submetido à intervenção. Ela disse que a equipe da clínica realizou o pronto-atendimento da paciente, com o fornecimento de oxigênio a Milena.
“A criança foi levada em menos de três minutos para o pronto socorro”, afirmou a dentista. Daniela acusa a equipe do PS Central do HMU de negligência no atendimento à menina. Ela diz que a criança deveria ter sido “entubada” (receber um tubo na traquéia, para o envio de oxigênio ao pulmões), na sala de emergência do PS, o que só teria ocorrido após a transferência dela à UTI.
O HMI contesta a acusação de Daniela, e diz que a utilização da um balão de oxigênio com máscara foi suficiente para realizar o fornecimento para a paciente. O 1.º DP de São Bernardo do Campo instaurou um inquérito para investigar o caso.