08 de julho de 2026
Cultura

Presentes para ver, ler e ouvir

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Como a idéia são presentes de Amigo Secreto ou Natal, vamos ficar nos lançamentos dos últimos meses ou aqueles discos e livros que chegaram às lojas neste ano e ainda valem a pena ser conferidos com atenção. As listas no quadro abaixo tentam reunir opções para todos os gostos e perfis, com base nos produtos que se destacaram na mídia e também no que agradou aos olhos e ouvidos da equipe do JC Cultura.

Se a praia do presenteado é a MPB e a música brasileira, não dá para fugir do “Rei”. Roberto Carlos está nas lojas com o CD e DVD “Duetos”, que reúne performances dos últimos especiais da Rede Globo ao lado de convidados especiais, e ainda com a biografia não autorizada “Roberto Carlos em Detalhes”, de Paulo César Araújo. Os discos trazem encontros históricos, como de RC com Erasmo Carlos em “Tutti Frutti”; com Wanderléia em “Ternura”; com Tom Jobim em “Lígia”; com Caetano em “Alegria Alegria”.

Já a biografia traz a “história oficial” do maior ídolo da música brasileira e também episódios polêmicos, como a perda da perna direita. As paixões e a dor da doença da última mulher, Maria Rita. É bom garantir enquanto os advogados do “Rei” ainda não recolheram o livro das lojas, coisa que ele vem tentando fazer.

Erasmo Carlos também volta às lojas com a coletânea histórica “65 Na Estrada”, CD duplo com grandes sucessos de sua carreira e composições do Tremendão interpretadas por outros cantores. Ainda em coletâneas, há duas para os fãs de Elis Regina: “Elis – Os Primeiros Anos”, box com os discos “Viva a Brotolândia”, de 1961, e “Poema de Amor”, de 62; e “Samba, Jazz & Bossa”, com 27 faixas mais dançantes da discografia da Pimentinha. Da família, há ainda o DVD “Segundo ao Vivo”, com a última turnê de Maria Rita em registro bem-cuidado.

Apesar do formato batido, o “Acústico MTV” de Lenine e “Luminoso” de Gilberto Gil destacaram-se pela inovação e criatividade – o primeiro – e pela simplicidade na reconstrução de seu próprio repertório – o segundo. Outro homem da MPB que sempre vale a audição é Naná Vasconcellos, que lançou o CD “Trilhas”.

Entre as mulheres, grandes cantoras usaram bem 2006. Marisa Monte lançou dois CDs, um de composições próprias (“Infinito Particular”) e outro de releituras de samba entre algumas inéditas (“Universo ao Meu Redor”). Se é para ficar com apenas um, opte pelo segundo, mais descontraído, apesar da bela “Vilarejo” estar em “Infinito”.

Ana Carolina também fez dois discos, mas embalou-os no mesmo pacote. “Dois Quartos” traz a cantora de voz grave em seu melhor e também em seu pior, nos momentos em que se leva muito a sério. O problema é o preço do CD duplo. Para fãs, vale o investimento. Já Marina Lima aproveitou os shows do Auditório do Ibirapuera e renovou-se para “Lá nos Primórdios”, álbum que define sua carreira para os próximos anos.

Zélia Duncan aceitou convite e ajudou a reviver os Mutantes, e os shows na Europa viram CD e DVD ao vivo. Tudo muito sério? Aposte em Perlla e seu “Eu Só Quero Ser Livre”. A garota carioca canta funk, tem suíngue e pode ser o que vem fazendo falta na música brasileira: diversão sexy e despretensiosa.

Pelo mundo

O topo de todas as listas de melhores CDs de 2006 traz Bob Dylan e seu “Modern Times”. É bom, mas é para fãs. Melhor não arricar, então prefira “Love”, compilação dupla com canções dos Beatles rearranjadas por seu eterno produtor, George Martin. As faixas são trilha sonora do espetáculo de mesmo nome do Cirque du Soleil mas não são tema de piruetas: a coisa é séria e ficou muito boa.

Para o lado do pop, 2006 tem dois nomes: Gnarls Barkley e o megahit “Crazy” e a inglesa Lily Allen com suas canções vingativas e deliciosas. No CD “St. Elsewhere”, a dupla americana mistura estilos, resume funk, groove, soul, rock e electro sob o manto do hip hop e fecha um dos CDs do ano. Já “Alright, Still” tem um balanço dançante, meio ragga ou hip hop branquelo que não perde o pique nas suas 11 faixas da cantora travessa. “Smile” e “Not Big” são destaques.

No mesmo pacote, entram a coletânea “Respect M.E.”, de Missy Elliot, também conhecida como a melhor produtora e rapper do momento; o glitter dançante de “Ta-Dah”, do grupo nova-iorquino Scissor Sisters, que bebe com qualidade na fonte da disco, dos 80’s e de Elton John; “The Sweet Scape”, segunda empreitada solo de Gwen Stefani, com mais do mesmo que deixa querendo ainda mais; e “FutureSex-LoveSounds” do ex-N Sync e senhor Cameron Diaz Justin Timberlake, que prova que não é só mais um, acompanhado dos melhores da cena black americana, e lança um grande disco ao se afastar – ou ultrapassar – aquela sombra de querer ser Michael Jackson.

No rock, quatro nomes: Red Hot Chili Peppers e seu “Stadium Arcadium”, também no topo das listas de melhores de 2006; “Revelations” do Audioslave, com a megabanda retomando o gás do primeiro disco; “Under the Iron Sea”, bela coleção de canções assobiáveis com o piano poderoso do Keane; e “Sam’s Town”, dos americanos The Killers – se eles querem ser o U2, a tentativa foi frustrada mas acertou no alvo.