A chegada do verão, que começa hoje às 22h22, preocupa a equipe de ortopedia e traumatologia do Hospital Estadual (HE) quanto a um tipo de acidente que se repete com freqüência neste período do ano: fratura de coluna por mergulho em água rasa.
Em uma semana, o HE, que é administrado pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), atendeu dois casos de fratura de coluna cervical pelo mesmo motivo.
Nos últimos 20 dias foram quatro casos. A informação é da assessoria de imprensa do hospital. Com o calor, as pessoas buscam se refrescar nadando em lagoas, represas, rios e piscinas sem atentarem para a profundidade do local. Se por um lado áreas mais fundas causam receio, as mais rasas despertam uma certa “confiança” no nadador, que pode se acidentar gravemente.
O mergulho é responsável por quase 70% dos casos de trauma raquimedular, segundo o HE. Esse tipo de impacto, onde o pescoço é forçado para trás ou para frente, causa a fratura da coluna cervical que, em mais de 70% dos casos, deixa a pessoa tetraplégica (paralisada do pescoço para baixo). A cirurgia, nestes casos, serve apenas para estabilizar a coluna do paciente para que outros danos não ocorram.
Fábio Tadeu de Santis, 22 anos, morador e guia turístico em Brotas, se recupera de um mergulho malsucedido que teve como resultado uma vértebra lesionada, seguida de esmagamento da medula. Após passar por cirurgia no HE na última sexta-feira, permanece internado por tempo indeterminado sem os movimentos dos braços e pernas, com pouca chance de reabilitação.
O acidente aconteceu em Brotas quando Fábio se divertia num tobogã de lona improvisado num barranco. Ele deslizou sobre o plástico de bruços e mergulhou numa área rasa do lago de forma abrupta e não conseguiu impedir o choque.
O cirurgião Orlando Costa Dias, ortopedista e traumatologista especializado em coluna e que operou o rapaz, explica que o trauma provocou uma grave lesão na medula óssea. Ela é responsável por conduzir, ao longo da coluna, os impulsos que, ao comando do cérebro, fazem com que pernas e braços se mexam. Quando ocorre a lesão, os nervos (que percorrem toda a coluna) perdem esta função de transmissor dos impulsos deixando a pessoa pára ou tetraplégica.
Este tipo de acidente também pode ocorrer em piscinas, especialmente as que possuem escorregadores onde as crianças, e até mesmo adultos, costumam deslizar “de cabeça”. Os especialistas pedem atenção redobrada e uma avaliação da profundidade da água antes de arriscar um mergulho para evitar o trauma. Com a coluna fraturada, sem movimentos, a pessoa pode se afogar por não conseguir sair da água.
• Serviço
Em caso de acidente, o socorro deve ser feito por profissionais especializados. O ideal é chamar o serviço de resgate do Corpo de Bombeiros (193) ou o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) pelo telefone 192 que têm treinamento especial para atendimento de trauma na coluna cervical.