São Paulo - A região central de São Paulo sofreu às 11h30 de ontem um apagão que durou mais de cinco horas - em alguns locais a energia ainda não havia voltado no início da noite. Mais de 43 mil imóveis, entre residências e estabelecimentos comerciais, ficaram sem luz em sete bairros: Higienópolis, Bela Vista, Consolação, Santa Cecília, República, Campos Elíseos, Cerqueira César e Pacaembu. Pelo menos 15 semáforos foram afetados, prejudicando muito o trânsito.
Até o início da noite, a Eletropaulo ainda não havia descoberto a razão do defeito que atingiu dois cabos subterrâneos de distribuição de energia. Tampouco sabia o local exato dos problemas . Por serem cabos subterrâneos, a dificuldade para procurar o defeito é maior. Quando a pane é na rede aérea, um técnico pode percorrer de moto a extensão para verificar onde está o dano.
A luz só começou a voltar às 16h19 (em 75% dos locais - nos demais, a volta da luz ocorria gradativamente) porque a empresa decidiu trazer “sobras” de energia de outras regiões. Em alguns casos - principalmente hospitais e laboratórios-, a empresa disse que providenciou a instalação emergencial de geradores.
Em relação aos locais nos quais a energia não havia sido restabelecida, a Eletropaulo disse que equipes teriam de ser deslocadas até os pontos isolados para verificar o que seria possível fazer. Isso levaria mais cinco horas, pelo menos. “Vou viajar na sexta e havia marcado depilação e escova, mas sem energia não poderei fazer. Nem pagar a manicure consigo, porque as máquinas para passar cartões não funcionam”, disse a psicóloga Marilda Goldfeder, em Higienópolis.
O supermercado Madrid, no mesmo bairro, fechou por uma hora e, depois, alugou um gerador para continuar funcionando. “Esse custo extra eu não tenho para quem repassar. Mas minha maior preocupação é com a qualidade, então achei melhor alugar o gerador para evitar problemas com os produtos refrigerados”, disse o gerente comercial do supermercado, Paulo Ancelmo Ribeiro.
Ricardo Neves, dono de uma padaria, disse que ficou sem conseguir produzir pães e doces. “Nem suco é possível fazer. E, se a energia demorar para voltar, vou perder os frios, laticínios e sorvete”, disse ele. Ele ressalta que há muitos idosos na região e, sem energia, os elevadores dos prédios deixam de funcionar. “A maioria acaba nem saindo de casa. A clientela também diminui.”
Márcia Oliveira Porto, garçonete de uma lanchonete, disse que o dia estava um “caos”. “Não dá para usar o liquidificador. Não tem como deixar os salgados na estufa e os doces no balcão.” Ela afirmou ainda que não abriu o freezer o dia inteiro para tentar manter intactos os produtos congelados. Trânsito Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a falta de luz acabou ocasionando, por reflexo, problemas em toda a cidade.
O gerente de operações da empresa Wlamir Lopes da Costa diz que a lentidão ficou acima da média esperada para o período - às 16h foram 98 km de congestionamento, quando o normal são 61 km. Alguns semáforos, principalmente na rua Augusta, continuavam sem funcionar no início da noite de ontem.
Na marginal Pinheiros, sentido Interlagos, um acidente piorou ainda mais a situação. Às 10h40 uma moto e um caminhão colidiram deixando uma pessoa ferida. O acidente ocupou duas das sete faixas perto da ponte Cidade Jardim.