09 de julho de 2026
Geral

Dá para contornar ‘diferenças’ no Natal

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Natal, data festiva, de união, de reunir a família... ou fugir dela. Para evitar transformar a ceia num verdadeiro campo de batalhas, é preciso embuir-se do espírito de reconciliação tão difundido na data. Caso contrário, muitos preferem passar a data sozinhos, a enfrentar dezenas de parentes e comentários que, às vezes acabam em atrito. O Jornal da Cidade encontrou algumas famílias que passaram por situações bastante complicadas nos últimos natais. Para não causar maiores constrangimentos, a reportagem vai preservar os nomes das pessoas envolvidas.

No último Natal, uma família da cidade estava toda reunida quando uma pequena discussão começou por conta de um aparelho de videogame. O tio proibiu o sobrinho de brincar no aparelho, dizendo que apenas os adultos iriam jogar. Todos se reuniram no almoço, quando o pai do menino se irritou com algumas brincadeiras e foi assistir televisão, justamente a que estava o videogame.

“Um primo apareceu e perguntou o que eu estava assistindo. Eu disse que era um filme horrível e começamos a conversar”, conta. Minutos depois apareceu o dono do aparelho, querendo jogar. “Disse: de jeito nenhum. O filme está muito bom”, lembra. “Fui o último a ir embora só para não deixar ninguém jogar”, diz. Para não ter nenhum problema nesse Natal, ele conta que vai passar a data em casa, somente com a esposa e com o filho.

Às vezes, uma simples brincadeira pode acabar com a relação entre duas famílias. Estavam na mesma ceia a família do tio que torce para o Santos e a do sobrinho corinthiano. Um começou a implicar com o outro por causa dos times. O resultado: todo mundo entrou na discussão e as duas famílias ficaram mais de dois anos sem se falar. As relações só foram retomadas há pouco tempo.

Em muitos casos, uma discussão é apenas um gatilho. “Às vezes não foi aquele problema que despertou a crise. Ele foi apenas a gota d’água”, avalia a psicoterapeuta e doutora em psicologia clínica Marilene Krom. Para a especialista, as opiniões pessoais são formadas a partir da história de vida de cada um. “Por isso temos opiniões diferentes e é tão difícil mudar a opinião dos outros”, explica. Para manter o convívio harmônico, ela explica que deve-se criar espaços de convergência, evitar os pontos que causem discórdia e não tocar nas rusgas passadas.

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União

Em certas situações, as diferenças entre os parentes são postas de lado para contornar um problema familiar ainda maior. Ano passado, a cinco dias do Natal, uma mãe abandonou os dois filhos pequenos. O seu marido tinha acabado de voltar de uma viagem internacional que se estendeu por meses.

Quando ele retornou, para passar a data em família, a mulher foi embora. “Todos tiveram que se unir para que as crianças não ficassem sabendo, a poucos dias do Natal, que a mãe delas tinham ido embora”, lembra um parente.

De acordo com a psicoterapeuta e doutora em psicologia clínica Marilene Krom, o final de ano também é caracterizado por tomada de decisões. “Ela é feita quando a tensão aumenta”, conta.

A intenção é começar o ano com uma nova realidade. Nesse caso, a família se uniu para que as crianças fossem tomando conhecimento dessa nova realidade da forma menos dolorosa possível.